(16) 3826-3000
(16) 9.9995-9011
Home / Agronegócio / Laranjas ‘caem do pé’ antes da hora e estão menores com seca prolongada e calor acima da média em São Paulo

Laranjas ‘caem do pé’ antes da hora e estão menores com seca prolongada e calor acima da média em São Paulo

Chacoalhou, vai pro chão”, lamenta o produtor rural Nivaldo Evaristo Davoglio, dono de uma fazenda com 35 mil pés de laranja em Taquaritinga (SP), na região de Ribeirão Preto (SP). A constatação dele resume um cenário desolador para a citricultura paulista, responsável por cerca de 75% da produção brasileira: com a seca prolongada e o calor acima da média, inclusive no inverno, os frutos estão menores e caindo das árvores mais cedo do que se esperava.

Sob o sol forte, temperaturas acima dos 30ºC nos horários de pico e ausência de chuvas no final do ano passado e mais recentemente, os pomares ressecados reforçam não só uma projeção de queda de 25% da Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus), como também a expectativa de que esta seja a pior safra de laranja das últimas três décadas, segundo o presidente do Sindicato Rural de Taquaritinga, Marco Antônio dos Santos.

Laranjas caem do pé antes da hora em Taquaritinga (SP), em meio a seca e calor — Foto: Luciano Tolentino/EPTV

Laranjas caem do pé antes da hora em Taquaritinga (SP), em meio a seca e calor — Foto: Luciano Tolentino/EPTV

“Tem muito pouca oferta de laranja em decorrência de que, na época da florada do ano passado, de setembro a novembro, não choveu, temperatura muito alta, calor muito intenso. Então dificultou no pegamento. Derrubou toda essa florada e o que sobrou efetivamente no pé vem caindo gradativamente, porque estamos passando por um período de seca prolongada”, diz.

 

No município em que ele está, essa é a realidade de 40 produtores, entre eles o Nivaldo, que espera colher este ano fruta suficiente para completar 60 mil caixas de 40,8 quilos cada, menos da metade do que conseguiu em 2023 – 140 mil.

“Este ano, se chover e vingar essas, ainda eu recupero o prejuízo, se não, a quebra minha é de 50%”, afirma.

Plantação de laranja com solo seco diante de estiagem em São Paulo — Foto: Luciano Tolentino/EPTV

Plantação de laranja com solo seco diante de estiagem em São Paulo — Foto: Luciano Tolentino/EPTV

Quebra histórica e queda prematura

 

Segundo a Fundecitrus, a safra 2024/2025 no estado de São Paulo, Triângulo e Sudoeste mineiros deve chegar a 232 milhões de caixas, diante de 308 milhões da anterior, quando também houve uma redução de 2% em um cenário já marcado por queda prematura de frutos a uma taxa de 19% e um prejuízo estimado de 72 milhões de caixas.

Em parte, isso também se deve aos frutos, que estão menores. Para encher uma caixa de 40,8 quilos, na última safra foram necessárias 255 laranjas, oito a mais do que o esperado até então. O peso de cada fruto também ficou 5 gramas abaixo do esperado e 3 gramas abaixo da média dos últimos dez anos, em 160 gramas.

A projeção de produção para o próximo ciclo está bem abaixo do que o setor já registrou. Em 2003, por exemplo, esse volume chegou a 351 milhões e, em 2013, foi de 337 milhões. Desde 1970 no segmento, Nivaldo afirma que nunca viu nada parecido em sua lavoura.

Esta notícia foi lida 30 vezes!

Autor redacao

Deixe uma Resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *

*


Popups Powered By : XYZScripts.com