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Produção de etanol bate recorde em 11 anos após queda do açúcar nas usinas, diz Unica

 

Das 206 usinas de açúcar e álcool da região Centro-Sul do Brasil, 78 vão terminar a safra 2018/19 sem ter produzido, sequer, um quilo de açúcar. O número é 25% maior que a temporada 2017/18, quando 62 unidades destinaram 100% de sua cana para o etanol. As informações são da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica). Em Ribeirão Preto (SP), três empresas se encaixam no perfil.

Isso contribuiu para que a produção de etanol hidratado – o que vai direto no tanque dos veículos – batesse o recorde de produção dos últimos 11 anos. De acordo com a Unica, de 1º de abril, quando a safra começou, até a primeira quinzena de novembro, saíram das usinas do Centro-Sul 18,85 bilhões de litros.

O volume é 20% maior que o mesmo período da safra anterior (15,67 bilhões de litros), e quase 5% superior na comparação com o ano de 2010, quando se produziu o segundo maior volume da série histórica desde 2008 (17,97 bilhões de litros).

Enquanto a produção de etanol hidratado na atual safra é a mais alta do período, a de açúcar é a mais baixa. De abril a primeira quinzena de novembro, a Unica registrou 24,35 milhões de toneladas do produto, contra 36,06 milhões no mesmo período da safra anterior – quando o número foi o maior desde 2008. Uma queda que supera os 32%.

O diretor técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues, explica que o cenário é reflexo da continuidade dos baixos preços pagos pelo açúcar no mercado internacional e da melhora gradativa dos valores praticados para o combustível internamente.

“Isso começa a se desenhar em 2017, quando há uma sinalização muito forte do excesso de açúcar no mercado mundial e de uma nova política para os preços dos combustíveis. Com isso, as usinas saem do açúcar e vão para o etanol.”

Indicadores de preços para o etanol hidratado e o açúcar demonstram que esse comportamento do mercado permaneceu durante todo o ano de 2018. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA-ESALQ), a média de preços pagos pelo litro do combustível às usinas do Estado de São Paulo, responsável por 60% da cana processada no Centro-Sul, foi de R$ 1,49 de janeiro a primeira quinzena de novembro de 2017, sem considerar a incidência de frete e impostos. Agora, em 2018, subiu para R$ 1,66.

Já para o açúcar, no mesmo período, a média, que, segundo a ESALQ/BVMF, era de R$ 68,46 a saca de 50 quilos em 2017, passou para R$ 57,73 neste ano.

Consumo

Quando consideradas apenas as unidades produtoras do Estado de São Paulo, onde estão 150 das 206 usinas do Centro-Sul, 21 vão fechar a safra produzindo apenas etanol, contra 14 da temporada passada. Três delas estão na região de Ribeirão Preto, mesmo número da safra anterior – a Unica não divulgou os nomes.

E se a produção bate recorde, é sinal de que o consumo também. Só na primeira quinzena de outubro, as vendas de etanol hidratado nas bombas, de acordo com a Unica, chegaram a 1,07 bilhão de litros – 26% a mais que na mesma quinzena de 2017, quando foram comercializados 849,48 milhões de litros.

A marca é maior para uma única quinzena desde que a entidade começou a fazer o levantamento, o que elevou o consumo total de outubro para 2,02 bilhões de litros, volume que também deve ser registrado, com pequenas oscilações, nos meses de entressafra, que vai de dezembro a março.

Apesar da alta demanda, Rodrigues afasta o risco de haver desabastecimento. Ele garante que, com os volumes que estão sendo produzidos, as usinas terão estoque suficientes para fazer a passagem de uma safra a outra.

Mix

Na média, as unidades produtoras do Centro-Sul têm destinado de 60% a 65% da cana para o etanol e o restante para o açúcar. Para Rodrigues, não é possível afirmar que esses percentuais serão mantidos para a safra que começa em 2019.

“Isso vai depender muito dos preços do açúcar e do etanol, além da qualidade da matéria-prima”. Mas uma coisa é certa: as usinas continuarão mais alcooleiras. “Mesmo que haja pequenas alterações, não será uma safra do tamanho de outras que já tivemos do ponto de vista açucareiro.”

Rafael Bordonal Kalaki, superintendente da Socicana – Associação dos Fornecedores de Cana da Região de Guariba – concorda. Segundo ele, diante dos preços muito ruins do açúcar no mercado externo, não fosse o valor praticado neste ano para o barril de petróleo – por volta de 80 dólares –, que impulsiona também o do etanol, o setor sucroenergético teria enfrentado mais uma safra bastante difícil – há pelo menos dez anos, as usinas enfrentam dificuldades financeiras.

Kalaki diz que, com a diminuição da produção de açúcar pelo Brasil e por outros países, as estimativas internacionais apontam para uma redução do excedente nos próximos meses, o que pode levar a uma melhora nos preços.

No entanto, a tendência é que o setor desfrute do bom momento do etanol, ainda mais se for levada em conta uma incerteza. “A Índia, segunda maior produtora de açúcar do mundo, não tem divulgado dados muito confiáveis. Uma hora, tem superávit; em outra, déficit. Então, o mercado de açúcar também vai depender muito da confiabilidade das informações que forem divulgadas.”

Fonte: www.g1.globo.com

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