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Um Agro moderno exige um Estado moderno

Gustavo Diniz Junqueira                                                                                                                                                 Secretário de agricultura e abastecimento

Em 1993, quando a Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo realizou a última grande modernização em sua história, a produção de grãos no Brasil foi de 68 milhões de toneladas. A telefonia ainda era fixa e estatal e havia espera e ágio para se conseguir uma linha. O fax simbolizava a modernidade – a internet só chegaria, para valer, três anos depois, em 1996.

Hoje, a internet tem alta velocidade e está na palma da mão, a safra de grãos vai bater o recorde de 253,7 milhões de toneladas (crescimento de 271%) e a produtividade no campo é 100% maior que 27 anos atrás. A agroindústria está em constante crescimento, do mesmo modo que o setor de serviços para a agropecuária.

Mas, se ao longo dessas décadas, o governo estadual foi o tradicional líder do processo modernizador do setor, hoje não consegue acompanhar o dinamismo e a velocidade das transformações. Pelo menos não com a atual estrutura e recursos. O estado não representa esse novo agro que, como o segmento mais privado da economia, precisa de uma gestão eficiente do poder público, que se traduz pela menor interferência burocrática, sem abrir mão da regulação e assistência necessária para garantir a segurança da produção.

Pensando nisso, a ampliação de serviços digitais, a simplificação de processos e a busca por produtividade e eficiência no atendimento em todos os setores foram colocadas, desde o início do mandato, como diretriz e meta de governo. Nasce um processo de modernização administrativa, vital para combatermos o desperdício e a ineficiência. Após estudos, identificamos na Secretaria deficiências, oportunidades e novas demandas. Agora, pós-pandemia, damos início à mudança, não de pessoas, mas de atitudes.

São Paulo possui uma base invejável para essa mudança, com o agro mais tecnológico e posicionado como o hub brasileiro do setor para o mundo. Responde por 20% do PIB do agro nacional, é o maior produtor mundial de suco de laranja e o maior exportador de açúcar e etanol. Mais da metade do consumo do país está a um raio de 500 km da capital e mais de 55% da produção agropecuária é processada nas indústrias de alimentos do estado. Nossas empresas e produtores são comprometidos com a sustentabilidade e a preservação ambiental. São Paulo tem promovido à economia de baixo carbono e a permanente recuperação e a evolução da cobertura vegetal, crescendo em uma década de 18% para 23% da área total.

Buscar a inovação, nesse amplo universo, significa, inicialmente, transformar uma cultura analógica ainda em vigor, em parte da máquina oficial. Em algumas regiões, por exemplo, os braços da Secretaria funcionavam de maneira independente, desconectados de um projeto amplo de regulação, apoio e monitoramento. Em mais de 180 cidades, a nossa representação está ou duplicada, ou com estrutura semelhante a menos de 60 quilômetros de distância. Não é eficiente e não prestamos o melhor serviço à população.

Para recuperar a liderança da iniciativa, propõe-se uma estrutura mais orgânica, ágil e flexível e direcionada aos produtores, empresários e ao mercado, concentrando o trabalho em três áreas técnicas principais: 1) Abastecimento e Segurança Alimentar, 2) Pesquisa e Inovação e 3) Desenvolvimento Rural e Defesa, que dá à regulação sanitária e a extensão rural uma única orientação. Pesquisas precisam privilegiar a solução de problemas enfrentados por todo o ecossistema do agro. E a Secretaria tem o dever de retomar uma política de abastecimento com foco nas demandas do consumidor. Enquanto isso, as atividades administrativas, como financeira, recursos humanos, tecnologia da informação e ouvidoria, passam a ter todo o trabalho centralizado e padronizado, independentemente da região e município.

As novas medidas atendem duas obrigações decorrentes da pandemia. Substituir parte da presença física pelo atendimento à distância, com ganhos de agilidade e produtividade, e, quando necessária à presença, pela prestação de serviço “in loco”, diretamente nas unidades produtivas, com melhoria e assertividade no atendimento. E ainda participar do esforço de recuperação econômica, com responsabilidade fiscal, determinado pelo Governador João Doria. A racionalização estratégica trará redução de gastos aos cofres públicos. Com baixo investimento para a transformação e com eficiência, organização e inovação, é possível agregar valor à produção, gerar mais renda e potencializar o apoio, além de manter a liderança de São Paulo no agronegócio.

Reestruturar não significa demitir ou abrir mão de atribuições, e muito menos deixar de prestar serviços ao cidadão e aos municípios. Ao contrário disso, significa organizar as forças internas; concentrar esforços; potencializar o alcance das políticas públicas, sempre em benefício dos pequenos e médios produtores e empresários, associações, cooperativas, e de todo o ecossistema agro. E o objetivo final nada mais é do que aprofundar a conexão com a iniciativa privada, criar soluções e apoiar o desenvolvimento com ações voltadas para aquilo que o mercado demanda: gestão eficiente para maior potencial de crescimento. É mais uma excelente iniciativa liderada pelo governador rumo à modernização do poder público e do agro. O momento não poderia ser mais oportuno e o resultado positivo para todos aqueles que produzem e vivem do setor, para os que consomem seus produtos e para a saúde financeira do governo.

*Gustavo Diniz Junqueira, secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo

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