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Ações da BRF despencam após PF deflagrar a terceira fase da Operação Carne Fraca

As empresas do setor frigorífico retornam ao centro do noticiário com a Polícia Federal (PF) dando início à terceira fase da Operação Carne Fraca nesta segunda-feira, 5. Batizada de Trapaça, o alvo dos investigadores são fraudes laboratoriais perante o Ministério da Agricultura.

A nova operação da PF atingiu em cheio os frigoríficos, em especial a BRF. Há pouco, as ações da empresa donas de marcas como Sadia e Perdigão recuavam 16,08%, a R$ 25,88. Em um mês, a perda acumulada é 22,44% e em 2018 é 29%.

Entre os executivos presos temporariamente nesta nova fase das investigações estão o ex-presidente da BRF Pedro de Andrade Faria, que ficou à frente do conglomerado de 2015 a dezembro do ano passado, e o ex-diretor-vice-presidente da BRF, Hélio Rubens Mendes dos Santos.

A empresa perdeu mais de R$ 3,5 bilhões em valor de mercado nesta manhã, de pouco mais de R$ 25 bilhões no fechamento de sexta-feira para cerca de R$ 21,3 bilhões instantes atrás. A tensão se espalhou pelo setor, pesando também em JBS ON (-4,7%), Minerva ON (-3,1%) e Marfrig ON (-1,58%).

Exportações. Na opinião de analistas, essa nova etapa das investigações deve afetar novamente as exportações brasileiras. A abrangência desse impacto, porém, ainda é difícil de ser avaliada, já que o fato é recente.

Entre as repercussões da notícia, o Ministério da Agricultura já suspendeu os estabelecimentos envolvidos na operação para exportar a países que exigem requisitos sanitários específicos de controle e tipificação de salmonela.

Em nota, a PF informou que agentes cumprem 91 ordens judiciais nos Estados do Paraná, de Santa Catarina, do Rio Grande do Sul, de Goiás e de São Paulo: 11 mandados de prisão temporária, 27 mandados de condução coercitiva e 53 mandados de busca e apreensão. Cerca de 270 policiais federais e 21 auditores fiscais federais agropecuários participam da ação coordenada entre a Polícia Federal e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Ferman, da Elite, ressalta que a operação ocorre no exato momento em que a empresa passa por um momento de conflito interno, com os fundos de pensão dos funcionários da Petrobras e do Banco do Brasil, Petros e Previ, pedindo a destituição do atual colegiado, comandado pelo empresário Abilio Diniz. “Além de o timing ser péssimo, as investigações acabam respingando em todo o setor”, acrescenta.

A pedido dos fundos foi convocada para hoje uma assembleia para tratar do assunto. Na sexta-feira, os fundos de pensão apresentaram chapa com dez nomes para o Conselho de Administração da BRF.

 

Operação Trapaça.  A operação batizada de Trapaça aponta que cinco laboratórios credenciados junto a Agricultura e setores de análises do grupo BRF fraudavam resultados de exames em amostras de seu processo industrial, informando ao Serviço de Inspeção Federal dados fictícios em laudos e planilhas técnicos.

As fraudes tinham como finalidade burlar o Serviço de Inspeção Federal (SIF/MAPA), do Ministério, e, com isso, não permitir que a Pasta fiscalizasse com eficácia a qualidade do processo industrial da empresa.

As investigações indicam que a prática das fraudes contava com a anuência de executivos do grupo empresarial, bem como de seu corpo técnico, além de profissionais responsáveis pelo controle de qualidade dos produtos da própria empresa.

Também foram constatadas manobras extrajudiciais, operadas pelos executivos do grupo para acobertar a prática desses ilícitos ao longo das investigações.

Novo conselho da BRF. Duas semanas antes da nova etapa da operação da PF, os fundos de pensão Petros e Previ, que são os principais acionistas da BRF, e detém, cada um, cerca de 11% do capital da empresa, divulgaram carta pedindo a realização de uma assembleia geral extraordinária para destituir o atual conselho de administração, presidido pelo empresário Abílio Diniz.

Insatisfeitos com os resultados da companhia de alimentos, que registrou prejuízo bilionário em 2017, os fundos decidiram se unir para forçar mudanças no colegiado. Embora tenha uma fatia menor que a dos fundos, Abilio dá as cartas na BRF desde 2013, quando foi trazido para o negócio pelo fundo brasileiro Tarpon.

Uma reunião para deliberar sobre o pedido dos fundos já tinha sido convocada por Abílio, antes da deflagração da terceira fase da Carne Fraca, para esta segunda-feira, 5. /RICARDO BRANDT, JULIA AFFONSO, FAUSTO MACEDO, LUIZ VASSALLO, RENATA AGOSTINI, MONICA SCARAMUZZO E FABIANA HOLTZ

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