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Capitais brasileiras e Distrito Federal recebem atos contra Jair Bolsonaro

Dezenas de cidades no Brasil e no exterior foram palco de atos contrários à candidatura de Jair Bolsonaro (PSL) neste sábado, 29. Todas as capitais tiveram manifestações contra o capitão da reserva e deputado federal por sete mandatos, que lidera as recentes pesquisas de intenção de voto para o primeiro turno, com 28%, seguido por Fernando Haddad, do PT, que tem 22%. Os atos foram coordenados pela campanha #EleNão, criada dentro de um grupo no Facebook que reúne 3,8 milhões de mulheres. Algumas cidades também registram mobilizações favoráveis ao candidato.

Em São Paulo, a concentração de manifestantes começou em torno do Largo da Batata no início da tarde. O ato reuniu eleitores do PSOL ao PSDB e todas as candidatas que estão na disputa presidencial, exceto a senadora Ana Amélia (PP-RS), candidata a vice na chapa de Geraldo Alckmin(PSDB). No início da noite, um grupo contra o candidato se manifestava na Avenida Paulista e passsaram Avenida Rebouças. Por volta de 21h, o ato começou a se esvaziar.

 

 

Passaram pela manifestação a ex-ministra Marina Silva, candidata da Rede, a senadora Kátia Abreu (PDT-TO), vice de Ciro Gomes (PDT), a deputada estadual Manuela d’Avila (PcdoB-RS), vice de Haddad, a líder indígena Sonia Guajajara (PSOL), vice de Guilherme Boulos (PSOL). Apoiadores de Bolsonaro, por sua vez, se reuniram em frente ao estádio do Pacaembu. A Polícia Militar não fez estimativas sobre o número de manifestantes presentes. Além das presidenciáveis, a candidata a deputada federal por São Paulo, Luiza Erundina e o também candidato Ivan Valente, ambos do PSOL, também estiveram presentes.

Para uma participante, o ato serviu para unir as pessoas em torno de um propósito comum. “Tem o PT, tem a Rede, o pessoal do Ciro, do Boulos, é importante que estejam todos aqui. O cara nos uniu. Obrigada, Bolsonaro!”, brincou Angela Martins, professora universitária de 65 anos.

No Rio, milhares de pessoas se concentraram na Cinelândia, região central da cidade e seguiram em caminhada para a Praça XV. Por volta das 15h25, manifestantes reagiram com aplausos à passagem de uma bandeira com a imagem da vereadora Marielle Franco (PSOL), assassinada em março com seu motorista Anderson Pedro Gomes. Os crimes até agora não foram esclarecidos. Muitos manifestantes, especialmente as mulheres, responderam à convocação dos organizadores do protesto e estão usando lilás.

Ato contra Bolsonaro no Rio
Manifestantes contra Bolsonaro na região central do Rio  Foto: Fabio Motta/Estadão

Ao redor do mundo, protestos ocorreram em cidades da Argentina, Chile, Espanha, França, Portugal, Alemanha, Itália, França e Suíça. As lideranças do movimento afirmam que a campanha é para alertar a população sobre as ideias de Bolsonaro, consideradas pelos participantes como “fascistas e machistas”.

Em diversas cidades houve também atos favoráveis aos candidatos. No Rio, esse ato até interrompeu parte de uma das vias da Avenida Atlântica, em Copacabana. O público apoiador do candidato é formado tanto por mulheres quanto por homens e se espalha por um trecho de cerca de 100 metros. Com uma imagem de Bolsonaro de papelão em tamanho real em cima do carro de som, o ato começou às 14h20 com o Hino Nacional e um Pai Nosso.

“Somos um movimento de paz e harmonia”, afirmou do microfone uma das líderes do movimento. “Aqui tem mãe solteira, tem mãe com dificuldade para pagar suas contas, que se vira nos trinta”, declarou a ex-ativista do grupo feminista Femen Sara Winter. Candidata a deputada federal pelo DEM, pouco antes ela posou para foto segurando um “fuzil” de papelão.

Diversas pessoas se revezavam nos discursos. O enfoque variava das críticas ao PT, de “defesa à vida”, com críticas contundentes aos que defendem a legalização do aborto, e ironias contra veículos de imprensa que têm divulgado denúncias contra Jair Bolsonaro.

Minas Gerais

Em Minas, as manifestações ocorreram na Praça da Sete, ponto central de Belo Horizonte. Com direito a trio elétrico, o clima do protesto foi de carnaval. As canções tinham palavras de ordem contra o presidenciavel. “Nem fraquejada, nem do lar, a mulherada tá na rua pra lutar”, dizia uma das músicas. Os gritos de “ele não” também eram entoados com frequência.

Mesmo com a organização feita por mulheres – desde a segurança até instrumentistas – muitos homens marcaram presença no protesto. Bandeiras e adesivos de outros candidatos e políticos foram vistos na manifestação. Eleitores de Fernando Haddad (PT), Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede) se misturavam com apoiadores do ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff.

Bahia

Na capital baiana, o clima era uma mistura de carnaval e de protesto, em especial as mulheres. Cerca de cinco mil manifestantes tomaram as ruas do centro e da orla de Salvador para se manifestar contra o candidato. O relógio marcava 14h30 quando a cantora Daniela Mercury surgiu no largo do Campo Grande, início do principal circuito da folia momesca soteropolitana, em cima de um trio elétrico, entoando sucessos da sua carreira e canções de blocos afro em homenagem à população negra.

Ao lado da esposa, a jornalista e empresária Malu Verçosa, a estrela da axé music fez discurso contra o presidenciável, embalando coro de “ele não” da multidão. “Queremos qualquer candidato que nos respeite, mas ele não”, bradou Mercury. “Nos respeite. Essa cidade é dos pretos, das mulheres, dos gays, pela democracia e pelo amor”. Até o Farol da Barra, um dos principais pontos turísticos da capital baiana, onde a manifestação se dispersou, a cantora Maria Gadu também cantou de cima do trio elétrico

Rio Grande do Sul

As manifestações em Porto Alegre se concentraram na região central da cidade. O local é um tradicional ponto de manifestações políticas e fica em frente ao Colégio Militar de Porto Alegre. No Rio Grande do Sul, Bolsonaro tem 33% das intenções de voto, segundo o Ibope.

De um trio elétrico, a organização, formada por mulheres, entoava gritos e cânticos contra o candidato. “Ele não”, “ele nunca” e “coiso” foram as expressões mais usadas pelos manifestantes durante o ato. Além das mulheres, que eram a maioria do público, homens, idosos e crianças participaram.

“Eu já falei, vou repetir: nessa eleição o Bolsonaro vai cair” era o canto entoado. Alguns motoristas que estavam no outro sentido da via buzinavam em sinal de apoio conforme passava o protesto. Moradores de prédios no entorno também demonstraram apoio à manifestação. Uma pequena manifestação favorável ao candidato ocorreu na cidade.

Pernambuco

Com faixas, cartazes e bandeiras dos adversários do deputado federal como Marina, Haddad, Ciro e Boulos, os manifestantes cantaram e gritaram palavras de ordem com o mote “Ele não” no centro do Recife. A educadora e assistente social Gigi Bandler, 67 anos, foi uma das primeira a chegar para o ato. Tanta pressa, ela disse, “se deve à preocupação com a democracia”. “Sou francesa, mas moro no Brasil há 40 anos, eu nunca vi um momento tão ameaçador quanto este que o País está passando. A democracia precisa vencer, por isso, estamos todas e todos aqui”, afirmou.

Depois de três horas de discursos em trios elétricos, a multidão saiu em caminhada pelo centro comercial do Recife. Em alguns pontos houve momentos de tensão e bate boca com eleitores de Bolsonaro que queriam furar o protesto com carros e motos. Alguns apoiadores do presidenciável exibiam camisas e banners em apoio ao capitão do Exército nas varandas. Os manifestantes respondiam com gritos de “fascistas não passarão”.

Distrito Federal

Em Brasília, manifestantes se concentraram nas proximidades da Rodoviária do Plano Piloto para seguir em caminhada até a Torre de TV, na área central da capital. O grupo chegou ao local por volta de 14h. Pelas estimativas da Polícia Militar, participaram do protesto mais de 7 mil manifestantes. Os organizadores falam em 30 mil pessoas. O protesto foi tranquilo. Três faixas das seis vias do Eixo Monumental foram fechadas para o trânsito de veículos – duas para a manifestação e uma para o controle da polícia.

Paraná

Em Curitiba, o ato começou por volta de 16h, com grande concentração na Boca Maldita, tradicional local de manifestações políticas no centro da cidade. O público, majoritariamente feminino, preencheu ao menos quatro quadras do calçadão da Rua XV de Novembro. Com cartazes e gritando “ele não”, os manifestantes fazem uma caminhada até o prédio histórico na Universidade Federal do Paraná (UFPR).

A cozinheira Carolina Almeida foi até a manifestação em Curitiba acompanhada do marido. “É um movimento justo e válido, a gente tem que se levantar, sim, não pode deixar alguém opressor dizer que a gente não é tão digno quanto ele”, declarou. Há, entres os manifestantes, candidatos fazendo campanha.

Um grupo do MST, que faz acampamento em frente à sede da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, onde o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está preso, também integra o movimento.  Segundo a Polícia Militar, o ato teve cinco mil pessoas. Na cidade, um carro de som favorável à candidatura de Bolsonaro se aproximou do evento. Não houve conflitos.

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