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Faltou à Ford dizer a verdade: querem subsídios, diz Bolsonaro sobre saída da montadora

Luci Ribeiro, Emilly Behnke e Pedro Caramuru, O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA e SÃO PAULO – O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta terça-feira, 12, a apoiadores que a Ford não disse a verdade sobre o fechamento dos parques fabris no Brasil.  “Mas o que a Ford quer? Faltou à Ford dizer a verdade: querem subsídios. Vocês querem que continuemos dando R$ 20 bilhões para eles como fizemos nos últimos anos, dinheiro de vocês, impostos de vocês, para fabricar carro aqui?”, perguntou o presidente e ele mesmo respondeu na sequência: “Não. Perdeu para a concorrência, lamento”.

O presidente, no entanto, não explicou se a montadora fez algum tipo de pedido em subsídios para manter a operação no País. Fontes do Ministério da Economia afirmaram ao Estadão, sob a condição de anonimato, que a saída da empresa do Brasil faz parte de um movimento global e não está relacionada à frustração de políticas de incetivo no País

Depois de mais de 100 anos produzindo no Brasil, a Ford anunciou na segunda-feira, 11, o encerramento de sua produção de veículos no País. A decisão afeta as fábricas de Camaçari (BA), Taubaté (SP) e Horizonte (CE), mas a montadora segue com sua operação de vendas e assistência técnica no país, focando em produtos importados.

O anúncio da saída do País da Ford acabou colocando em debate a concessão de bilhões de incentivos tributários para a indústria automobilística. Dados do Ministério da Economia apontam que os incentivos tributários para os fabricantes de automóveis atingiram R$ 43,7 bilhões entre 2010 e 2020. Até 2017, os incentivos contabilizados –R$ 25,24 bilhões – correspondem à base efetiva apurada. Nos três anos seguintes – 2018, 2019 e 2020 – os dados são projeções.

O levantamento leva em consideração os incentivos para todas as empresas do setor, já que os dados individuais são sigilosos. Além dos incentivos dos tributos federais, as empresas contam com benefícios dados pelos Estados, que não entraram na conta do Ministério da Economia.

Bolsonaro rebateu as críticas de que seu governo não fez nada para manter a montadora no País e afirmou que a saída da empresa aconteceu porque a companhia “perdeu para a concorrência” e “em um ambiente de negócios, quando não se tem lucro, se fecha”. “Assim é na vida e na nossa casa”, completou o presidente que disse lamentar a escolha da montadora de encerrar a produção no País e do fechamento de 5 mil postos de trabalho.

Bolsonaro critica governador da Bahia e disse que ele não se antecipou ao problema

O presidente atribuiu a presença da Ford na Bahia até agora à luta do senador Antônio Carlos Magalhães (o ACM), morto em 2007. A afirmação foi usada para criticar o governado Rui Costa (PT), adversário político do presidente. Para Bolsonaro, Costa não conseguiu se antecipar ao problema e buscar soluções.

“ACM podia ter todos os defeitos do mundo, mas era uma pessoa amada na Bahia”, disse Bolsonaro. “Ele [ACM] lutou e a Ford ficou lá. Agora o governador de lá (Rui Costa (PT)), que tem senadores com ele, não teve a capacidade de se antecipar ao problema e buscar possíveis soluções”, disse o presidente, ponderando, no entanto, que as soluções poderiam vir na forma de subsídios, o que ele reprova. “Se bem que a solução que queriam buscar, repito, eram bilhões de reais a título de subsídios”, emendou na sequência.

Ontem, pouco depois da Ford anunciar o fechamento da fábrica dos modelos Ka e EcoSport em Camaçari, o governo da Bahia emitiu comunicado em que diz já trabalhar em busca de “alternativas” para substituir a montadora, já sondando, inclusive, investimentos chineses. Segundo o texto, o governador entrou em contato com a Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb) para discutir a criação de um grupo de trabalho onde serão avaliadas as possibilidades. O governo estadual, segue a nota, também entrou em contato com a embaixada chinesa para sondar possíveis investidores com interesse em assumir o negócio na Bahia.

Mourão critica decisão de Ford manter produção na Argentina

O vice-presidente Hamilton Mourão disse que os argumentos da Ford para deixar de produzir carros no País foram “meio fracos”. Em conversa com jornalistas nesta manhã, ele reconheceu as dificuldades enfrentadas pela Ford e pelo setor automobilístico, mas avaliou que o mercado brasileiro teria condições de se recuperar.

Nesta manhã, Mourão repetiu que a Ford ganhou “bastante dinheiro” no Brasil e destacou que ela recebeu incentivos ao longo dos 100 anos que atuou no País. “A gente entende que no mundo inteiro a empresa está passando por problemas. A indústria automobilística está passando por problemas. Está havendo uma mudança”, disse na chegada à vice-presidência.

Mourão também comentou sobre a decisão da empresa de manter a fabricação da Ranger na Argentina. Em dezembro do ano passado, a empresa comunicou um programa de investimentos de US$ 580 milhões (cerca de R$ 3,17 bilhões) na Argentina. Na sua visão, o País vizinho tem problemas, apesar de ser uma economia dolarizada. “Acho que nosso mercado tem plenas condições de assimilar, vamos dizer assim, a partir do momento que se retomar a economia de uma forma normal. Vai fabricar na Argentina? Eu acho que os argumentos que ela colocou são meio fracos”, declarou.

O vice-presidente citou ainda que a reforma tributária teria impacto na retomada econômica do País. “A reforma tributária é um aspecto disso, tem essa questão do Custo Brasil. Mas,ela (Ford) está fabricando em um País que tem problemas, que é a Argentina. Apesar de ser uma economia dolarizada e de acordo com quem entende mais do assunto, isso favorece a atividade de uma empresa dessa natureza”.

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