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Inep quis driblar regra e dar acesso ao Enem a professores fora do edital

Inep quis driblar regra e dar acesso ao Enem a professores fora do edital

Sem processo seletivo, órgão tentou elevar número de docentes que atuam no teste, mas recuou; lista tinha professores que defendem governo

Renata Cafardo, Júlia Marques e João Ker, O Estado de S.Paulo

A cúpula do Ministério da Educação (MEC) tentou incluir profissionais na montagem do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano que não haviam sido aprovados em processo seletivo para colaboradores da prova. A lista com 22 nomes, obtida pelo Estadão, incluía defensores da gestão Jair Bolsonaro, uma professora de Biologia criacionista e quatro docentes ligados à Universidade Mackenzie, de onde veio o ministro Milton Ribeiro.

Segundo o Estadão apurou, a lista teria sido feita pelo presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Danilo Dupas, com a anuência do MEC. Essas pessoas receberiam a permissão para entrar na sala segura do Enem, um ambiente com detectores de metal e senhas nas portas, e escolher as questões da prova a partir do banco de itens. Poderiam também acompanhar a impressão da prova na gráfica.

A relação de nomes foi descoberta por servidores do Inep em abril e levou a um pedido de demissão do coordenador da área, que discordava da medida. A lista circulou entre funcionários e muitos manifestaram seu descontentamento. O conflito fez Dupas recuar e retirar os nomes da relação.

Além dos servidores, a montagem da prova tem sempre colaboradores externos – professores escolhidos por meio de um edital de seleção que leva em conta o currículo e a formação acadêmica. Este grupo não passou por essa seleção.

Um dos requisitos obrigatórios que mais contam pontos, segundo o edital de 2020, é a experiência em “elaboração e/ou revisão de itens do ensino médio”, ou seja, as questões da prova. Depois de selecionados, eles ainda participam de 40 horas de capacitação sobre “as normas e os procedimentos técnicos exigidos para desenvolver o trabalho”, de acordo com texto do Inep sobre os aprovados deste ano.

A lista que chegou a integrantes da diretoria da Avaliação da Educação Básica do Inep tinha 15 nomes que incluíam professores já aprovados e servidores, além dos 22 professores que não passaram pelo processo de seleção. Todos faziam parte de um grupo que seria vacinado prioritariamente pelo governo, já que sairiam do trabalho remoto para atuar juntos em salas fechadas e cercadas de segurança.

O pedido de vacinação para nomes estranhos chamou a atenção dos servidores. Segundo relatos, muito do descontentamento que levou aos 37 pedidos de exoneração da semana passada começou nesse episódio. Eles acusam Dupas de assédio moral e desconsideração de critérios técnicos. Procurado, o Inep não se manifestou até as 20h50 de quinta-feira.

O Enem é realizado por cerca de 3,1 milhões de candidatos ao ingresso no ensino superior. É o principal meio de acesso às universidades do Brasil. As provas são realizadas anualmente.

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