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Lava Jato 65 mira Lobão e prende seu filho Márcio por propinas de R$ 50 mi em Belo Monte

Ex-senador e ex-ministro de Minas e Energia nos governos Lula e Dilma é investigado por recebimento de propinas relacionadas à construção de hidrelétrica no Pará; Márcio Lobão, seu filho, foi preso na manhã desta terça, 10, no Rio, sob suspeita de acertar e coletar os pagamentos indevidos

Pepita Ortega e Fausto Macedo

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça, 10, a 65ª Fase da Operação Lava Jato, chamada Galeria, para investigar crimes de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo a Transpetro, subsidiária da Petrobras, e a Usina Hidroelétrica de Belo Monte. Segundo a PF, Edison Lobão (MDB/MA) , ex-senador e ex-ministro de Minas e Energia (governos Lula e Dilma), e seu filho Márcio teriam recebido, entre 2008 e 2014, cerca de R$ 50 milhões em propinas.

Márcio Lobão foi alvo de um mandado de prisão preventiva cumprido nesta manhã. O filho do ex-ministro foi capturado no Rio de Janeiro. Segundo a PF, ele seria o responsável pelo ajuste de pagamentos e a coleta das propinas.

 

Cerca de 70 Policiais Federais e 18 auditores cumprem ainda 11 mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. As ordens foram expedidas pela juíza Gabriela Hardt.

A operação investiga crimes relativos ao contrato de construção de Belo Monte – já objeto de denúncia apresentada pela força-tarefa da Lava Jato – e irregularidades em mais de 40 acordos entre a Transpetro e um grupo de empresas do ramo de serviços ambientais – Estre Ambiental, Pollydutos Montagem e Construção, Consórcio NM Dutos e Estaleiro Rio Tietê. Somados, os valores dos contratos com a subsidiária da Petrobrás chegam à R$ 1 bilhão, indica o Ministério Público Federal no Paraná.

Segundo a Procuradoria do Paraná, as provas indicam que as propinas foram entregues em espécie em escritório advocatício ligado à família Lobão, localizado no Rio de Janeiro.

A suspeita da PF é a de que os valores indevidos recebidos por Márcio Lobão teriam sido incorporados a seu patrimônio por meio de diferentes operações de lavagem de dinheiro – ‘transações sobrevalorizadas de obra de artes, inclusive em nome de laranjas, simulações de compra e venda de imóveis, simulação de empréstimos, depósitos fracionados em espécie e utilização de contas e transações financeiras no exterior’.

O nome da operação, Galeria, remete às transações com obras de arte ‘que teriam sido utilizadas como forma de dar aparência lícita aos valores provenientes de vantagens indevidas’, diz a PF.

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