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Papa aceita renúncia de bispo acusado de desviar R$ 2 mi da Igreja

O papa Francisco aceitou, nesta quarta-feira, 12, a renúncia de d. José Ronaldo Ribeiro do cargo de bispo de Formosa, em Goiás. O bispo é investigado por suposta participação em um esquema de desvio de mais de R$ 2 milhões da Igreja Católica. D. José, cinco padres e outras pessoas vinculadas à Cúria da região permaneceram presos por 30 dias, acusados de apropriação indébita, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Eles foram liberados na terceira tentativa de habeas corpus impetrado pela defesa no Tribunal de Justiça de Goiás. D. José e os outros suspeitos se dizem inocentes.

O papa Francisco aceitou, nesta quarta-feira, 12, a renúncia de d. José Ronaldo Ribeiro do cargo de bispo de Formosa, em Goiás. O bispo é investigado por suposta participação em um esquema de desvio de mais de R$ 2 milhões da Igreja Católica. D. José, cinco padres e outras pessoas vinculadas à Cúria da região permaneceram presos por 30 dias, acusados de apropriação indébita, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Eles foram liberados na terceira tentativa de habeas corpus impetrado pela defesa no Tribunal de Justiça de Goiás. D. José e os outros suspeitos se dizem inocentes.

O comunicado, assinado pelo arcebispo de Uberaba, d. Paulo Mendes Peixoto, informa que ele próprio foi nomeado Administrador Apostólico “sede vacante” da Diocese de Formosa, assumindo por força da renúncia do antecessor.

A comunicação dá conta de que a notícia do acolhimento à renúncia e de sua nomeação foi publicada no jornal L’Osservatore Romano, às 12 horas de Roma.

“Informo, a tempo, que as atividades pastorais e religiosas da Diocese estão sendo garantidas a todo povo de Deus dessa região, de forma plena, legítima e amorosa”, diz a nota, assinada por d. Paulo.

Ele já havia sido nomeado interventor na Diocese desde que o bispo foi preso, em março, em razão das denúncias.

O texto da nota não faz referência às razões da renúncia do bispo. Procurado, o arcebispo informou que sua manifestação se restringiria ao comunicado. Em Formosa, a informação era de que d. José havia se retirado para uma paróquia de Sobradinho, no Distrito Federal, onde aguardaria as notificações da Justiça. O advogado do bispo, Lucas de Castro Rivas, foi procurado pela reportagem, mas não tinha dado retorno até o início da noite.

Em março deste ano, o Ministério Público de Goiás deflagrou a Operação Caifás, cumprindo nove mandados de prisão contra um grupo de religiosos, acusados de desviar dinheiro de 33 paróquias ligadas à Diocese de Formosa. Conforme o MP, a investigação apontou que os envolvidos desviam recursos obtidos com batizados, crismas, casamentos, festas e eventos realizados pelas igrejas. Com o dinheiro, os religiosos adquiriram fazendas, propriedades urbanas, veículos e joias. Até uma casa lotérica teria sido adquirida por integrantes do esquema, segundo a denúncia.

Entre os suspeitos, estavam ainda funcionários das cúrias, empresários usados como “laranjas” e um juiz eclesiástico. O processo foi recebido pela Justiça e está em fase de instrução.

Na audiência de segunda-feira, duas testemunhas relataram que houve aumento significativo nos gastos da diocese após a chegada do bispo. Uma delas contou ter sido ameaçada por um padre designado para investigar as denúncias. A próxima audiência será realizada nesta quinta-feira, 13. Conforme o MP, serão ouvidas cerca de 40 testemunhas, além dos onze acusados.

Trajetória

Natural de Uberaba, em Minas Gerais, d. José Ronaldo estudou Filosofia e Teologia no Seminário Maior Nossa Senhora de Fátima, em Brasília, e foi pároco da Paróquia de Nossa Senhora da Imaculada da Conceição, em Sobradinho, no Distrito Federal, de 1985 a 2007. Nesse ano, d. José foi nomeado bispo de Janaúba, em Minas Gerais, e, em 2014, assumiu a Diocese de Formosa. Um ano depois, fiéis católicos já denunciavam supostos desvios na Igreja.

Além do bispo, são acusados Waldson José de Melo, pároco da Paróquia Sagrada Família, em Posse, em Goiás; Guilherme Frederico Magalhães, secretário da Cúria de Formosa; Darcivan da Conceição Sarracena, funcionário da Diocese de Formosa; Edmundo da Silva Borges Junior, advogado da diocese; Pedro Henrique Costa Augusto e Antônio Rubens Ferreira, empresários; Tiago Wenceslau de Barros Barbosa Junior, juiz eclesiástico; Mário Vieira de Brito, pároco da Paróquia São José Operário, de Formosa; Moacyr Santana, pároco da Catedral Nossa Senhora da Imaculada Conceição, em Formosa; e Epitácio Cardozo Pereira, vigário-geral. Todos os suspeitos se defenderam no processo, alegando inocência.

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