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Petrópolis volta a ter chuva forte e áreas inundadas

Roberta Jansen, O Estado de S.Paulo

RIO – Pouco mais de um mês depois da tempestade que deixou pelo menos 233 mortos em Petrópolis, voltou a chover forte na região na tarde deste domingo,20. Vídeos feitos pela população mostram já várias áreas inundadas no centro da cidade, entre elas as ruas da Imperatriz , do Imperador e Teresa.  

O maior registro pluviométrico até agora é de 207.8 mm em 4 horas; o total esperado para o mês de março era de cerca de 240 milimetros. A previsão é de que a chuva continue nos próximos dias.

Desde que começou a chover, por volta das 14h, a Defesa Civil já acionou o segundo toque das sirenes, cujo objetivo é mobilizar a população que vive em áreas de risco. A recomendação é que essas pessoas se desloquem para locais seguros. Existem, em toda a cidade, 19 pontos de apoio já estruturados para receber os deslocados, segundo a prefeitura de Petrópolis. O prefeito, Rubens Bomtempo, criou um quartel general para o gerenciamento da crise na sede da Defesa Civil. Até agora, não há registro de mortos ou feridos.

“No momento, temos chuva forte e existe a previsão de mais chuva para as próximas horas”, afirmou o secretário de defesa civil de Petrópolis, Gil Kempers, em entrevista à Globonews. “É importante que a população que está em segurança não tente se locomover agora.”

Segundo nota oficial, o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio (CBMERJ) já foi acionado para cinco ocorrências na cidade, entre elas salvamento de pessoas ilhadas e uma ameaça de deslizamento, na Rua 24 de maio, sem vítimas.

Em 15 de fevereiro, uma forte tempestade provocou o deslizamento de encostas e casas, matando 233 pessoas; a maior tragédia já ocorrida na cidade. Ainda há quatro pessoas desaparecidas e 700 desabrigadas. Naquele dia, em seis horas, foram registrados 259 milímetros de chuva, mais do que era esperado para todo o mês de fevereiro.

“Isso que se chama gestão urbana não existe em São Paulo, não existe no Rio e, certamente, não existe em Petrópolis”, afirma o professor Adacto Ottoni, do departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da UERJ. “Trabalhamos sempre em cima das tragédias e botamos a culpa no aquecimento global; e as obras de engenharia necessárias simplesmente não são feitas. Existe solução, mas falta vontade política.”

Segundo o especialista, a cidade precisa de obras urgentes de contenção de encostas e drenagem de rios que nunca foram feitas, sobretudo diante da ocupação cada vez mais desordenada das encostas da cidade. Para ele, o reflorestamento das encostas também é fundamental. “Precisamos preparar as cidades para os períodos chuvosos”, disse.

Secretário-executivo do Observatório do Clima, Márcio Astrini concorda com o colega no que diz respeito à adaptação das cidades a eventos extremos. “Nunca conseguimos relacionar um evento específico ao aquecimento global, mas podemos dizer que esse conjunto de eventos extremos que estão ocorrendo no planeta estão relacionados as mudanças climáticas”, afirmou.

“Temos chuvas sem precedentes na China, degelo no Ártico, calor recorde na Sibéria. Esses eventos, nessa quantidade, só acontecem porque vivemos em um planeta com o clima já modificado. A Terra já esquentou 1,1 grau Celsius e continuará esquentando pelo que já emitimos; a adaptação é fundamental, sobretudo no Brasil, um pais muito dependente da estabilidade climática, tanto para a agricultura quanto para a energia elétrica.”

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