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Projeto da Sales Oliveira orienta educadores identificar sinais de maus-tratos em crianças

 

Evento reuniu cerca de 200 professores, profissionais de saúde, assistência social e conselheiros tutelares

Um projeto do Centro de Medicina Legal (Cemel) da USP de Ribeirão Preto capacitou na última sexta-feira (5), em Sales Oliveira, cerca de 200 profissionais da rede protetiva social: educação, saúde, assistência social e conselheiras tutelares.

O objetivo foi orientar o público a identificar possíveis sinais físicos de maus-tratos em crianças e como denunciar os casos. O trabalho foi desenvolvido pelos professores Fausto Gobbo e Dr. Marco Aurelio Guimarães, no auditório da EE Capitão Getúlio Lima.

Dados apresentados na palestra mostram que no Brasil, cerca de 70% das crianças que sofrem violência têm como agressores os pais biológicos; em 42% dos casos, a agressora é a mãe, utilizando as próprias mãos, alegando usar da agressão como forma de educar.

Além disso, durante a violência, 20 a 30% dos pais estavam drogados ou alcoolizados; o aumento de maus-tratos, em muitos casos, está relacionado ao fanatismo religioso; e 10% dos pais, que cometem abuso, têm comprovado algum distúrbio psiquiátrico.

Na região de Ribeirão Preto, as cidades com taxas mais altas de violência são as que possuem menor número de moradores.

Agressões e denuncia

Segundo o Dr. Marco, a violência começa com pequenas agressões, que vão deixando marcas e, com o tempo, se agravam. “De repente ela [violência] dá um salto, ocasiona uma lesão muito grave ou a morte a criança. Quando não se fala sobre o assunto, não se denuncia, crianças morrem”, afirmou.

O especialista acredita que estamos vivendo numa era complexa, com inversões de valores. “Há um excesso de informações duvidosas que as pessoas estão expostas; exemplos ruins sendo seguidos; e os bons não sendo valorizados. E isto está gerando violência em cima de violência”.

O professor Fausto conta que muitos profissionais de educação têm receio de denunciar casos de maus-tratos, com medo de colocar em risco seu trabalho ou por ameaças. “O docente é amparado por lei. Ele pode denunciar casos de violência”, sem medo por ter seus direitos resguardados.

O evento foi organizado, atenciosamente, pelo Centro de Referência de Assistência Social (Cras) Nestor Cottas e Departamento de Assistência Social (DAS), com o apoio da Prefeitura de Sales Oliveira.

Segundo a coordenadora do Cras, Tatiane C. R. de Souza, capacitações como esta buscam “investir no processo de formação dos profissionais do município, que realizam atendimento de crianças e adolescentes”. O intuito é fortalecer a rede protetiva social e tomar medidas adequadas em relação às situações suspeitas identificadas.

A ação contou com a presença do prefeito Dr. Edmar Gomiero, que parabenizou toda a equipe municipal e os palestrantes pelos excelentes trabalhos desenvolvidos. “Trabalhos como estes buscam fortalecer e melhorar os serviços de proteção social município. Parabéns a todos!”, disse. 

Também participaram a diretora de Educação, Andréia Balan Bianco, a diretora do DAS, Mônica Urbinatti dos Santos, a presidente Conselho Tutelar, Juliana Lanzeloti Corréa Leite, a diretora da Capitão, Ana Maria Fabri de A. Boldrin, e o vereador Babinha.

Reconheça os sinais físicos

A violência pode ser psicológica, como xingar e humilhar; física, machucar e ferir, e até sexual. A maioria dos casos acontece dentro de casa e, por isso, essa violência é tão grave. Quem deveria proteger, muitas vezes, é quem causa os maus-tratos.

A criança que sofre violência muda de comportamento. Pode ficar mais quieta, fechada e amedrontada ou até agressiva. É importante suspeitar e reconhecer esses sinais quando as lesões no menor de idade não forem compatíveis com a história contada para explicá-la.

Notar uma ou mais lesões, como escoriações, equimoses e queimaduras, são sinais para ficar em alerta para um possível caso de maus-tratos. Também, crianças que sofrem violência várias vezes podem apresentar machucados nos lábios, por apertá-los entre os dentes, no momento da agressão.

O trabalho dos professores sobre prevenção de violência contra crianças e adolescentes, segundo o Dr. Marco, foi um dos oito selecionados entre os melhores projetos do V Congresso Internacional de Bioética, onde está sendo apresentado. A conferência acontece de 8 a 12 de julho, em Monterrey, México.

Saiba como denunciar

O Conselho Tutelar é uma das portas de entradas para denunciar suspeitas de violência crônica ou repetitiva contra crianças. As denúncias são recebidas por meio dos telefones (16) 3852-0208 e 99969-5322 (WhatsApp). A identidade da pessoa denunciante é mantida em segredo.

Outros canais de comunicação são: 190 ou 3852-1133, da polícia, caso presencie um menor de idade sofrendo violência; Disque 100, em caso de suspeita de violência sexual; Ministério Público ou Juizados da Infância e Adolescência, na comarca de Nuporanga.

 

 

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