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Trump sobretaxa ainda mais aço e alumínio brasileiro

São Paulo — A declarada aproximação e admiração do governo de Jair Bolsonaro não impediu que o Brasil entrasse no alvo de Donald Trump.

O presidente dos Estados Unidos afirmou em seu Twitter, na manhã desta segunda-feira (02), que vai sobretaxar as exportações brasileiras e argentinas de aço e alumínio, acusando os países de desvalorizarem artificialmente suas taxas de câmbio. A vigência seria imediata.

Em março de 2018, o governo norte-americano anunciou novas tarifas de importação no valor de 25% sobre o aço e de 10% sobre alumínio com base em “segurança nacional”.

Parceiros como Canadá, México e União Europeia foram os mais atingidos. Já em maio, após negociações, Trump se comprometeu em não incluir a Argentina e o Brasil na lista dos países com sobretaxas.

O clima, de forma geral, entre as empresas do setor é de tensão, de acordo com Camila Tapias, advogada da Utumi Advogados, escritório tributário da área.

“A partir do momento que essa tarifa é repassada para o comprador, o produtor nacional perde competitividade. E o americano vai atrás de outros fornecedores mais baratos”, diz ela.

Esse movimento, segundo Tapias, pode ser o suficiente para que o Brasil deixe de ser um dos principais exportadores de aço e alumínio para os EUA.

Sem dúvida isso pode acontecer”, diz.

Segundo a Associação Brasileira do Alumínio (ABAL), as exportações de produtos de alumínio brasileiro aos Estados Unidos pagam sobretaxa desde o início de junho de 2018. De janeiro a outubro, 43% do que o setor de alumínio produziu para exportações foi destinado aos Estados Unidos.

“Esse acerto foi ratificado no ano passado com governo Trump, quando este abriu a possibilidade de substituir a sobretaxa por cotas limitadas de exportação. Na época, optamos pela sobretaxa e seguimos assim desde então.”

O impacto, no entanto, não deve ser sentido de forma significativa nas exportações brasileiras, já que o setor não tem um peso grande na balança comercial, avalia Sérgio Vale, economista chefe da MB Associados.

A exportação de produtos semimanufaturados de aços e ferro para os EUA é 1,2% da exportação total do Brasil. Das exportações do país para os EUA, essa porcentagem é de 9,3%, considerando o acumulado de janeiro a outubro deste ano.

Os setores, por outro lado, que são os principais exportadores desses produtos para os EUA, devem sentir o impacto, e o anúncio não deixa de ser uma ameaça para outros setores, segundo Tapias.

“Se mais setores entrarem nessa represália que, segundo ele, é sobre câmbio, o cenário fica mais preocupante. Querendo ou não, uma eventual queda das exportações podem implicar numa redução de crescimento econômico, redução de geração de empregos etc”, diz Tapias.

Câmbio

A justificativa usada por Trump, de que o Real está artificialmente baixo, já foi utilizada também contra a China mas não faz sentido econômica, de acordo com economistas.

O Real está e deverá continuar estruturalmente fraco nos próximos anos, segundo nota assinada por Cristiano Oliveira, economista-chefe do Banco Fibra S/A.

“Além da questão estrutural (relacionada ao equilíbrio macroeconômico: juro real baixo, PIB potencial extremamente baixo e etc.), temos uma série de motivos conjunturais que explicam a fraqueza do Real nos últimos meses: fluxo cambial bastante negativo (mesmo após considerar a substituição de dívida externa por dívida local), maior déficit em conta corrente (de 3% do PIB), piora nos termos de troca, ruídos provocados pelo próprio governo, além, é claro, dos fatores externos (dentre os quais podemos citar a continuidade das incertezas globais relacionadas ao trade war entre EUA e China e em relação à eleição presidencial norte-americana)”, diz.

O mais provável é que a ofensiva esteja relacionada ao contexto político interno dos próprios Estados Unidos. O fechamento comercial e a ideia de que os americanos são colocados para trás por outros países é defendida por Trump desde a campanha eleitoral:

“Me parece claro que essa fala de Trump se enquadra numa jogada para agradar seu eleitorado, os fazendeiros, num contexto em que o presidente perde força em sua batalha contra o impeachment”, diz Vinicius Vieira,  professor de Relações Internacionais da FGV.

Vieira afirma ainda que, historicamente, a questão do câmbio sempre explicou o aumento das exportações desse setor para os Estados Unidos.

“No governo Bush (2001 a 2009), há 16 anos, houve momentos similares. Nosso câmbio estava relativamente elevado e nossos produtos entraram com força no mercado norte-americano. Nesse momento, o governo Bush impôs tarifas mais elevadas na entrada de aço brasileiro”, diz.

Sobre o poder de o governo Bolsonaro de reverter essa sobretaxa, Vieira está pouco otimista. “Se olharmos o histórico, o Brasil não é capaz de reverter essa decisão na conversa. Primeiro, que Brasil e EUA seguem não tendo uma relação próxima. Segundo que os EUA têm mostrado que não apoia o Brasil em momentos como a entrada do país na OCDE e em relação à volta da importação da carne. Não vejo como pode ser diferente agora”, diz.

 

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Autor redacao

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