(16) 3826-3000
(16) 9.9995-9011
Home / Ciência e Tecnologia / Vacina contra crack e cocaína é criada por cientistas nos EUA
crack1

Vacina contra crack e cocaína é criada por cientistas nos EUA

 

Descoberta fazer com que o sistema imunológico crie defesas contra as moléculas dos entorpecentes

Cientistas americanos anunciaram a criação de uma vacina que pode revolucionar as políticas de combate a drogas: ela capaz de anular o efeito da cocaína e do crack. Ela foi desenvolvida pela Faculdade de Medicina Weill Cornell, em Nova York, e já foi testada com sucesso em ratos e macacos. Os primeiros testes clínicos com humanos foram autorizados em 2016.
Os pesquisadores manipularam o vírus que causa gripe comum – ele foi acoplado a uma molécula artificial, criada em laboratório, que tem exatamente o mesmo formato da molécula de cocaína. Em seguida, esse vírus foi injetado em cobaias. E algo incrível ocorreu: o sistema imunológico dos animais criou defesa contra a molécula.
A partir daí, se o animal consumisse cocaína, ela era destruída pelo organismo. Não chegava ao cérebro, e, portanto, não produzia efeito. “Nós ensinamos o organismo a ver a molécula de cocaína como intrusa”, explica o geneticista Ronald Crystal, líder do estudo. A vacina também funciona contra o crack.
Ela não causou efeitos colaterais, mas mostrou ter duração limitada: 13 semanas em ratos e sete em macacos. Não se sabe por quanto tempo se manterá eficaz em humanos. Além disso, a vacina não elimina a dependência química e psíquica – o dependente sente falta da droga e continua tendo vontade de consumi-la.
A diferença é que, se ele fizer isso, não obterá efeito. Por isso, a vacina não dispensa o acompanhamento psicológico. Mas poderá ser de grande ajuda para quem luta contra o vício.


Pasta base de cocaína usada nos testes da vacina

UFMG também tem feito  testes com vacina no Brasil 

No Brasil, o Centro de Referência em Drogas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) também iniciou uma série de testes para avaliar a eficácia de uma espécie de vacina contra a dependência em cocaína e crack.
A etapa de experimentos em roedores foi concluída e os testes devem começar em primatas, podendo chegar em humanos ainda em 2018.
Segundo os estudiosos responsáveis pela pesquisa, em condução desde 2012, o tratamento injetável seria uma maneira do corpo produzir anticorpos capazes de reduzir o efeito do prazer que as drogas causam.
“Essa pesquisa pode trazer muito impacto para a saúde pública, uma vez que é grande o número de pessoas que sofrem transtorno por uso da substância e que poderiam ser beneficiadas pelo produto”, afirma Frederico Garcia, do Departamento de Saúde Mental, à agência de notícias da UFMG.

Impacto social
“O impacto social também ocorre porque, para cada dependente químico, existem, em média, outras três pessoas que também sofrem as consequências dessa dependência. Em um campo em que ainda não existem medicamentos para tratar as pessoas, ela aparece como recurso que poderá ser associado ao tratamento psicológico e outras medidas”, ressalta.
O professor Ângelo de Fátima, do Departamento de Química, explica que a base da vacina é a mesma da desenvolvida por cientistas nos Estados Unidos, uma plataforma proteica conectada a substância que produza o anticorpo quando introduzida no organismo por ativar o sistema imunológico do paciente contra o agente a ser combatido. Mas os resultados e a forma como esse composto está sendo produzido são diferentes de outras experiências fora do país.
“A indução de anticorpos provocada pela vacina reteve uma quantidade maior da droga no sangue do roedor, não chegando ao cérebro do animal, que é o alvo biológico da cocaína”, destaca.
“Conseguimos diminuir os efeitos da droga no animal, alterando o perfil farmacocinético da substância. As vacinas convencionais, como a anticocaína dos Estados Unidos, originam-se de plataforma proteica, que pode ser uma proteína de vírus ou de bactéria. A nossa vacina vale-se de uma plataforma não proteica feita 100% em laboratório”, esclarece.
Próximas etapas
Para serem testadas em humanos, duas etapas ainda precisam ser realizadas. A primeira é uma requisição da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que exige o estudo da biossegurança da molécula em animais, com o objetivo de confirmar que a medicação não criará efeitos nocivos a, pelo menos, duas espécies.
A segunda fase diz respeito a um estudo clínico que submeterá seres humanos às mesmas avaliações de biossegu- rança para garantir que os possíveis efeitos colaterais serão mínimos. A partir dessa fase, a droga poderá ser realmente testada em seres humanos.
Caso a estratégia dê certo, moléculas semelhantes poderão ser criadas para inibir a sensação de prazer gerada por outros tipos de substâncias como a nicotina e THC, por exemplo, ajudando pessoas a superar o vício em cigarro e maconha, respectivamente.

Apoio e preocupação
Psiquiatras expressam apoio e também preocupação com a novidade. Carla Bicca é vice-coordenadora da Comissão de Dependência Química da Associação Brasileira de Psiquiatria e, embora não creia numa solução definitiva para vícios químicos, encarou positivamente a novidade. “Em uma área tão escassa, a gente recebe com boas expectativas quando surge algo promissor. Não vai funcionar para todos, mas seria mais uma arma para ajudar os pacientes”, comenta.
Renata Azevedo, chefe do Departamento de Psicologia Médica e Psiquiatria da Unicamp, compartilha da mesma ideia de Carla. “Dentro de um contexto de tratamento e psicoterapia, pode ser uma ferramenta complementar para o paciente, mas corre o risco de aumentar o uso de quem não estiver motivado a largar o vício”, completa.


O potencial de dependência do crack é maior e o potencial de agressividade ao organismo, muito maior

Crack chega ao cérebro entre 8 e 15 segundos 

O crack é, na verdade, a cocaína – droga estimulante do sistema nervoso central, conhecida da medicina desde o século 19, mas usada desde o tempo dos incas. O princípio ativo da folha de coca é a eritroxilina. Isolada pela primeira vez em 1859 pelo químico alemão Albert Nieman, chegou a ser indicada para o tratamento de várias doenças por suas propriedades estimulantes e anestésicas até ser proibida por causar dependência.
A versão fumada da cocaína com o nome crack surgiu nos Estados Unidos entre 1984 e 1985, em bairros pobres de Nova York, Los Angeles e Miami. Seu precursor, no início daquela década, foi o freebasing (cocaína na forma de base livre), obtido da mistura de éter sulfúrico ao pó em meio aquoso aquecido.
O processo transformava a droga em cristais para serem fumados. Como a mistura usada para conversão do pó em pedra – quase sempre feita em laboratórios caseiros – oferecia risco de explosão, caiu em desuso.
Para conseguir continuar fumando a cocaína, usuários descobriram que o mesmo resultado poderia ser obtido trocando éter sulfúrico por bicarbonato de sódio com amônia, na alquimia do pó para a pedra.
A partir daí, ele se proliferou como epidemia nos Estados Unidos, virou a “droga dos excluídos”, a “criptonita dos pobres” – pelo poder energizante e eufórico – e ganhou nome: crack, por causa dos estalos (cracking) produzidos pelos cristais queimando.
No Brasil, os primeiros relatos de consumo da droga são de 1989, nos bairros de São Mateus, Cidade Tiradentes e Itaim Paulista, na periferia da zona leste paulistana. Seis anos depois, ela já era considerada uma epidemia.

Potencia
O que faz do crack uma droga mais potente e perigosa para o usuário é sua forma de absorção pelo organismo. Por ser fumado, a rapidez e a intensidade com que age no cérebro são muito maiores. “O crack é a própria cocaína, mas em forma fumada. Qual é o problema disso? Ao fumar, você consegue atingir níveis sanguíneos muito altos em curto período de tempo. O potencial de dependência é maior e o potencial de agressividade ao organismo, muito maior. Nesse sentido, é mais perigoso”, explica o psiquiatra Dartiu Xavier da Silveira, especialista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e diretor Programa de Orientação e Assistência a Dependentes (Proad).
No organismo, o crack leva de 8 a 15 segundos para chegar ao cérebro, graças à eficiente absorção dos alvéolos pulmonares. São eles que jogam a droga em peso na corrente sanguínea – no caso da cocaína cheirada, o efeito pode demorar até 15 minutos.
Potência
Além de mais rápido, o crack também é mais potente. Estudos apontam que, quando a droga é fumada, 90% da eritroxilina (princípio ativo da coca) chega até o cérebro – se inalada, só 30% atingem o destino.
A química do crack causa uma baderna no corpo, com efeitos desejados – como sensação de mais energia, hiperatividade, bem-estar, elevação do estado de alerta – e indesejados – como aumento dos batimentos cardíacos, da pressão sanguínea e até alucinações, depressão, pânico e paranoia.
Foi desses efeitos adversos que surgiram dois termos informalmente utilizados para classificar os dependentes de crack: “noia” e “zumbi”. Carregados de preconceito, ambos fazem referência ao comportamento-padrão da maioria dos usuários compulsivos da droga: paranoico e insone – virando noites e noites acordado, por causa da exacerbação do estado de atenção. No submundo dos “mocós” e das cracolândias, esses apelidos acabaram absorvidos e é comum até os próprios dependentes se tratarem assim.

Efeitos provocados

O prazer que o crack causa – narrado por quase todos os usuários – e seu potencial de vício estão diretamente ligados aos efeitos provocados por ele no sistema de recompensa do cérebro.
Artificialmente, eles geram uma sensação de prazer, bem-estar e euforia em grau muito mais elevado, por exemplo, que os gerados naturalmente pelo sexo ou por uma situação que causa felicidade.
A principal substância envolvida nessa rápida e potente sensação de prazer criada artificialmente é a dopamina – neurotransmissor que age entre neurônios conduzindo mensagens do cérebro ao resto do corpo.
Quando realizamos algo prazeroso, a dopamina é liberada, cai no espaço entre os neurônios (chamado sinapse) e, como uma chave entrando na fechadura, conecta-se a outro neurônio, passando mensagem de prazer. A dopamina que sobra volta ao neurônio que emitiu o sinal e o prazer acaba.
Quando o crack chega ao cérebro, ele fecha no neurônio que emitiu o sinal os canais de recaptura da dopamina, fazendo com que ela fique mais tempo emitindo a mensagem. É a alta dosagem da dopamina e de outros dois neurotransmissores (serotonina e noradrenalina) no sistema de recompensa que superestimula os músculos do corpo, causando sensações de aumento de energia, bem-estar e euforia.

Cientistas americanos anunciaram a criação de um produto que pode revolucionar as políticas de combate a drogas: uma vacina capaz de anular o  efeito da cocaína e do crack. No entanto, a vacina não elimina a dependência química e psíquica – o dependente sente falta da droga e continua tendo
vontade de consumi-la, apenas não sente os efeitos. Você acredita que esta vacina pode ser o começo que uma nova “batalha” contra as drogas? 

Esta notícia foi lida 68 vezes!

Autor redacao

Deixe uma Resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *

*