(16) 3826-3000
(16) 9.9995-9011
Home / Economia / ‘Choque de energia barata’ de Guedes enfrenta ofensiva de distribuidoras nos Estados
Botijao1

‘Choque de energia barata’ de Guedes enfrenta ofensiva de distribuidoras nos Estados

Lançado há dois meses pelo governo federal, o novo mercado de gás começa a enfrentar as primeiras resistências nos Estados. Mais conhecido por seu apelido “choque da energia barata”, dado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, o programa visa reindustrializar o País.

Para isso, a adesão dos Estados é fundamental, já que cabe a eles organizar a regulação da distribuição local de gás canalizado, incluindo as condições para o mercado livre – ambiente em que empresas fecham contratos diretamente com o produtor, sem intermédio da distribuidora.

As distribuidoras, no entanto, têm se articulado com medidas judiciais e pacotes de investimentos que vão na direção contrária aos planos da equipe econômica. O setor acompanha com lupa medidas adotadas no Rio de Janeiro, Sergipe, Bahia, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

Para a indústria, São Paulo, que opta por um caminho diferente, deve ser o grande perdedor desse movimento, enquanto Sergipe e Rio de Janeiro disputam a liderança dessa corrida pelo gás mais barato do País.

A primeira briga começou no Sergipe: antes mesmo do lançamento do programa do governo federal, o Estado autorizou um contrato para que a Centrais Elétricas do Sergipe (Celse), dona da usina termelétrica Porto de Sergipe 1, construa e opere seus próprios dutos até o litoral, atuando como autoimportadora – essa é uma das bases do novo mercado de hás. A distribuidora Sergás entrou na Justiça contra a medida e, até agora, sofreu derrotas nas duas primeiras instâncias.

Essa disputa no Sergipe é acompanhada por todo o setor de perto por uma razão: ao permitir que as indústrias façam suas próprias redes, os Estados, na avaliação das distribuidoras, tiram uma de suas principais receitas. Quando constroem dutos, as concessionárias não apenas são remuneradas pela obra, mas também aumentam sua base de ativos – ou seja, são “premiadas” com aumentos tarifários que encarecem o custo do gás para consumidores. 

Se esses dutos são implementados pelos próprios clientes, a distribuidora recebe apenas a cobertura de custos de operação e manutenção – em alguns casos, como no de Sergipe, nem isso, já que a usina está muito próxima da faixa litorânea.

Por outro lado, como o preço final do gás no Brasil está em média em US$ 14 por milhão de BTU, bem mais que os US$ 3 por milhão de BTU dos Estados Unidos, a indústria não tem competitividade para conseguir produzir – para setores eletrointensivos, o custo da energia é crucial na decisão de investimentos.

Sem uma regulação estadual que permita ao setor se tornar consumidor livre e acessar o gás do pré-sal, a indústria não se viabilizará e os produtores vão preferir exportar o insumo. A possibilidade de aumentar o volume de gás consumido internamente reduz custos para todo o mercado industrial e residencial e, nesse novo cenário, a distribuidora ganharia com o aumento da escala – em vez de apostar na construção de dutos.

Esta notícia foi lida 61 vezes!

Autor redacao

Deixe uma Resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *

*