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Crise de confiança afeta até papel tido como porto seguro da dívida brasileira

Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

A desconfiança com os rumos das contas públicas do governo chegou ao chamado “porto seguro” da dívida brasileira, as LFTs – papéis atrelados à taxa Selic, a taxa básica de juros, considerados de menor risco para os investidores e que lastreiam os fundos de curto prazo (DI).

Para comprar esses títulos, os investidores passaram a pedir uma remuneração acima da Selic (atualmente em 2% ao ano, piso histórico). Esse adicional já bateu em 0,42% ao ano, o equivalente a 42 pontos-base.

Segundo analistas, esse é mais um exemplo dos sinais de deterioração dos indicadores do mercado financeiro diante da falta de resposta do governo e do Congresso à trajetória de aumento da dívida pública. O estresse no mercado de LFTs se segue à forte desvalorização do real, ao aumento dos juros futuros e ao encurtamento dos prazos da dívida pública.

A preocupação com o alta do deságio das LFTs foi citada pelo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, em evento organizado pelo Itaú, na última quinta-feira. Ele apresentou um gráfico mostrando a rapidez desse processo.

“A situação é de estresse fiscal. A dúvida é se a gente volta ou não aos trilhos do gasto no ano que vem”, diz o ex-secretário do Tesouro Carlos Kawall. Atual diretor do ASA Investments, Kawall afirma que o problema com as LFTs indica um estágio mais avançado da piora das condições do mercado. A percepção é que o mercado não tem apetite para financiar um aumento do endividamento que não seja temporário.

O movimento vem desde 11 de setembro e melhorou um pouco após leilão do Tesouro na quinta-feira passada, e também por causa dos sinais dos últimos dias de manutenção do teto de gasto ( a regra que impede o crescimento das despesas acima da inflação) dado pelo governo e lideranças políticas, depois do “jantar da pacificação” entre o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), na segunda-feira.

No leilão de LFTs, o Tesouro conseguiu um alívio na escalada de alta do deságio com a oferta menor desses papéis. Ontem, estava em 0,28%, patamar considerado ainda elevado.

 

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