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Levy sai e BNDES pode ter ênfase na privatização

 
Lorenna Rodrigues e Camila Turtelli, O Estado de S.Paulo
 

BRASÍLIA – A saída de Joaquim Levy da presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), depois de ter sua “cabeça colocada a prêmio” pelo presidente Jair Bolsonaro, abre espaço para uma reformulação no papel do banco pela equipe econômica, que já pensa em concentrar a gestão das privatizações na instituição. O governo ainda quer que a troca no comando do banco reforce o discurso de “despetização” do BNDES.

O novo presidente terá que colocar em prática a promessa de campanha de Bolsonaro de abrir o que chama de “caixa-preta” do banco e investigar a responsabilidade pelos financiamentos concedidos, nos governos do PT, a empreiteiras para obras no exterior, em países como Cuba e Venezuela.

 

 

Um dos nomes mais cotados para assumir a vaga é do secretário de Desestatização e Desinvestimento do Ministério da Economia, Salim Mattar. Dono da Localiza, Mattar foi chamado para tocar no governo o plano de privatizações – cuja meta é obter só neste ano US$ 20 bilhões –, mas tem enfrentado resistência de outros ministros. Nas últimas semanas Mattar manteve conversas com Bolsonaro.Levy informou ontem pela manhã que entregou seu pedido de desligamento do cargo ao ministro da Economia, Paulo Guedes. Também são cotados para presidir o BNDES o ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco, que assumiu neste ano a presidência do conselho do banco, Carlos Thadeu de Freiras, ex-diretor da instituição, e Solange Vieira, funcionário de carreira do BNDES e atual presidente da Superintendência de Seguros Privados (Susep).

Segundo fontes da equipe econômica, com a redução do tamanho do banco na concessão de crédito, o BNDES perdeu a relevância que tinha em governos anteriores para o fomento da economia e, poderia assim, assumir também outras funções, como a de gerir privatizações. Além de ter de devolver R$ 126 bilhões neste ano, o banco também pode perder os recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) pela proposta do relator da reforma da Previdência, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP).

O BNDES já tem papel auxiliar em privatizações do governo e foi, por exemplo, responsável por estruturar projetos de desestatização das distribuidoras do sistema Eletrobrás. Para concentrar no banco todas as fases do processo de privatização e não apenas a estruturação de projetos, o governo precisaria de alterações legais, que teriam de ser aprovadas no Congresso.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse ao Estado que ficou “perplexo pela forma como o ministro tratou o Joaquim (Levy)”. Para ele, o ex-ministro era um quadro de qualidade que ajudaria a garantir as reformas que o País precisa neste momento. 

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