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Paulo Guedes aceita que a economia piorou, culpa vizinhos e espalha desinformação

Paula Cristina – editora de Economia da DINHEIRO

Quem vê o ministro da Economia, Paulo Guedes, falando em Dubai para empresários árabes sobre o sucesso da economia brasileira pode não saber que uma carta do próprio Ministério fazia previsões de crescimento bem menos otimistas – e mais condizentes com a situação do País. Por meio da Secretaria de Assuntos Econômicos (SAE), o relatório estimativa piora nas expectativas de juros e de inflação. O IPCA para 2021 aumentou de 7,9% para 9,7%. Para 2022, a projeção, que era de 3,75%, saltou para 4,7%. Segundo o secretário de Política Econômica, Adolfo Sachsida, o motivo da piora foi o cenário internacional, citando a crise de energia que afeta alguns países na Europa e a quebra de cadeias produtivas. “Me parece que tem uma demanda represada e teremos alguns bons resultados no ano que vem”, disse.

Mas se o governo tem condições de olhar para o cenário externo e deduzir que as coisas pioraram, parece não conseguir fazer o mesmo dentro do próprio quintal. Os indicadores gerais da economia brasileira mostram uma fragilidade acima do esperado para um período de recuperação, com empresas afogadas em dívidas e olhando atentamente como o galope da Selic irá afetar seus negócios. Nas casas, as pessoas lidam com uma inflação corroendo uma renda que não foi totalmente recuperada desde 2015. A conta de luz pressiona um orçamento reprimido e prejudica mais o mais pobre. As filas e confusão nas agências da Caixa Econômica Federal que aconteceram ontem, data do início do Auxílio Brasil, são a cena exata do que este governo promove. Caos e desinformação.

Sem conseguir traçar métricas claras para abrangência e destino do novo programa, as pessoas estavam ensandecidas em busca de respostas. Quem era beneficiário do antigo Bolsa Família, não sabia se poderia receber porque o cartão de recebimento mudou. Quem fez uso do auxílio emergencial se dizia apto a receber, mesmo sem cadastro. Dentro do banco, os funcionários não tinham certeza de nada. No mercado, as dúvidas também são imperativas. O programa nasce com prazo de validade, com financiamento até o período eleitoral e o gasto extra não está condicionado a nenhuma nova fonte de receita, só um calote negociado no Congresso. Mas mais do que isso, economistas estão preocupados com o fim das contrapartidas. O programa não exigirá, por exemplo, que as crianças que recebem o benefício tenham a carteira de vacinação em dia. Não condiciona o pagamento à frequência em Unidades Básicas de Saúde ou matrícula na escola.

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