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Vale anuncia parceria com empresa chinesa para investimento de US$ 624 milhões em porto da China

Projeto deve reduzir custos com frete e aumentar a competitividade da mineradora, sobretudo em relação às concorrentes australianas

Beth Moreira e Wagner Gomes, O Estado de S.Paulo

A Vale anunciou nesta sexta-feira a criação de uma joint venture com a chinesa Ningbo Zhoushan Port Company Limited para construir e operar o Projeto West III no Porto de Shulanghu, na província de Zhejiang. Com investimentos de US$ 624 milhões, o projeto possibilitará à companhia brasileira reduzir custos com frete e ganhar competitividade diante das concorrentes.

Cenário é favorável para a mineradora Vale, segundo apontam os especialistas. Foto: Fábio Motta/Estadão

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Em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a mineradora detalha que o Projeto West III consiste na expansão das instalações do Porto de Shulanghu, desenvolvendo um pátio de estocagem e berços de carregamento com capacidade adicional de 20 milhões de toneladas por ano (Mtpa). “Ao participar do projeto, a Vale garantirá uma capacidade portuária total de 40 Mtpa em Shulanghu, o que ajudará a Vale a otimizar custos em sua cadeia de valor”, afirma a empresa no documento.

A Vale deterá 50% da joint venture e ambas as partes pretendem obter empréstimos de terceiros de até 65%, mas não menos que 50% do investimento total. “Com essas premissas, a contribuição de capital da Vale para o projeto variará entre US$ 109 milhões e US$ 156 milhões, aproximadamente”, calcula a empresa.

A construção do projeto, que deve durar até três anos, terá início depois das aprovações antitruste e outras aprovações regulatórias na China. “O projeto garantirá capacidade portuária estratégica para a Vale na China, uma vez que o porto de Shulanghu permite a atracação de navios Valemaxes e a otimização dos custos de transporte e distribuição da Vale”, destaca.

A Ningbo é uma subsidiária do Zhejiang Provincial Seaport Investment & Operation Group Co. Ltd.. A parceria será através da Vale International S.A. A Ningbo é a operadora dos terminais públicos do Porto de Ningbo Zhoushan, que ocupou o primeiro lugar por 11 anos consecutivos em termos de movimentação total de carga no mundo. Como uma das maiores operadoras de terminal na China, a Ningbo atua no carregamento e descarregamento de contêineres, minério de ferro, petróleo, carvão, gás liquefeito, grãos, entre outras cargas.

O maior ganho da Vale com o projeto na China, grande consumidora do minério brasileiro, será na redução de custos. Na hora da compra, os chineses têm o costume de barganhar os preços. Segundo analistas, a construção da área permitirá que a companhia reduza os custos de armazenamento do minério.

Com um porto na China, a Vale também ganhará competitividade frente a seus concorrentes, principalmente os australianos, geograficamente mais próximos da Ásia, que, por isso, vendem o minério por um preço menor e chegam mais rápido ao destino. Além disso, a companhia brasileira conseguirá operar seus navios com maiores volumes no terminal.

Redução de custos de logística

O estrategista-chefe de mercado da Harrison Investimentos, Renan Sujii, destaca que o novo negócio aumenta a capacidade da mineradora brasileira de armazenamento de produtos em um mercado estrategicamente importante.

“A Vale tem um mercado muito importante na China e uma joint venture como essa contribui para o ganho com a logística. Esse projeto é muito importante do ponto de vista estratégico”, disse Sujii.

Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos, concorda. “No segundo trimestre deste ano foram vendidas 61 milhões de toneladas métricas de minério de ferro e pelotas. Desse total, 43 milhões foram para a China. Ao todo, 70% das vendas de minério de ferro da companhia vão para os chineses. Então, a relevância desse mercado é grande. Ter um espaço no porto mesmo em uma gestão compartilhada com outra empresa é fundamental”, afirmou.

Outro ponto importante é o custo do frete, segundo o analista. Ele explica que o transporte de minério é um mais maiores custos com a exportação. “Existem várias formas de colocar o produto para a exportação e uma delas envolve o custo. Há uma modalidade em que a Vale coloca o produto no navio e o importador paga todo o resto. Isso é mais comum nas exportações para a Europa. Na China, a maior parte dos contratos é fechada pela modalidade em que os custos do transporte ficam com a Vale até o material chegar ao porto de destino. Aumentando a presença no porto chinês, a Vale ganha gestão e melhora as suas margens”, diz.

Shin Lai, analista da Upside Investor, diz que a operação permitirá à companhia aumentar seus volumes embarcados nos navios, já que haverá um local apropriado para a estocagem, o que, por sua vez, diminuirá os custos para a empresa, melhorando as suas despesas com logística.

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