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Repetindo ‘velha Fifa’, Infantino distribui R$ 2,8 bi em bondades a cartolas

Com receita de videogame e 12 dos 20 parceiros vindos da China e da Rússia, entidade que comanda o futebol reverte perdas

Jamil Chade, enviado especial / Moscou, O Estado de S.Paulo

 

MOSCOU – Gianni Infantino assumiu a Fifa em 2016 graças a uma campanha muito parecida a de seus antecessores: distribuir dinheiro aos eleitores e, assim, garantir apoio. Dois anos depois, ele pode dizer que está cumprindo sua promessa com juros e correção monetária.

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Nesta quarta-feira, 13, os delegados das 209 federações nacionais receberão documentos em que serão informados dos resultados financeiros da entidade e sobre quanto tem sido distribuído. E certamente vão gostar do que escutarão: em apenas dois anos, Infantino comprometeu US$ 775 milhões a cartolas de todo o mundo, em mais de 1,6 mil projetos para supostamente desenvolver o futebol.

Presidente da Fifa disputa amistoso em Moscou

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, disputa partida amistosa entre os membros da delegação da Fifa e as lendas da Fifa no estádio do CSKA, em Moscou, nesta terça Foto: Sergei Chirikov/EPA/EFE

Documentos confidenciais da Fifa obtidos com exclusividade pelo Estado e pelo jornal americano The New York Times revelam que a Copa do Mundo se mostrou resiliente e, apesar da crise de corrupção envolvendo o futebol em 2015, novos parceiros asiáticos voltaram a garantir uma receita recorde. Desde a prisão dos cartolas, em 2015, a perdas chegaram a US$ 997 milhões, um valor inédito.

Infantino, assim, termina seu segundo ano com um lucro líquido na Fifa de US$ 100 milhões, bem abaixo dos US$ 378 milhões na Copa de 2014, no Brasil. Mas pelo menos superando um déficit que se aprofundava a cada ano. Além disso, em reservas estratégicas, a Fifa espera contar com mais de US$ 1,7 bilhão ao final do ano “graças à Copa do Mundo”. Os dados foram apresentados no último sábado, 9, em uma reunião a portas fechadas em Moscou.

Das 20 empresas que hoje fazem parte da Fifa, sete são chinesas e cinco delas, russas. Apenas cinco são marcas ocidentais, hesitantes em se associar à entidade. Pequim, que apenas tinha um patrocinador em 2014, agora se transformou em uma espécie de “seguro de vida” da entidade. Se não bastasse, os royalties de videogames com referência à Fifa aumentaram em 223% apenas em 2017, atingindo US$ 160 milhões.

As receitas passaram de US$ 5,7 bilhões em 2014 para US$ 6,1 bilhões em 2018, conforme o Estado já havia revelado. Mas a distribuição de dinheiro aos delegados foi ainda maior.

Entre 2011 e 2014, Blatter distribuiu US$ 1 bilhão a seus membros. Agora, em apenas dois anos, o volume chega a US$ 775 milhões, mesmo com um espaço mais restrito para distribuir dinheiro.

Fontes dentro da entidade garantem que a distribuição de recursos tem uma relação direta com seus planos de garantir, em 2019, uma reeleição. Para isso, porém, precisa mostrar que sua gestão não apenas dá resultado. Mas que o dinheiro está sendo repartido entre aqueles que o apoiam. Exatamente como fazia Joseph Blatter. Exatamente como agia João Havelange.

Prova disso são os projetos aprovados. Dos 1,6 mil iniciativas, mais de 500 delas são destinadas a apoiar os custos de operação das federações nacionais. Ou seja, pagando salários, transporte e até reformas de sedes. O benefício, portanto, é ao cartola. E não necessariamente ao futebol daquele país.

Os documentos também revelam, porém, que delegações mais pobres tiveram problemas em conseguir justificar o pedido de dinheiro, diante das exigências que foram feitas sobre recibos e justificativas.

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