(16) 3826-3000
(16) 9.9995-9011
Home / Esportes / Herói sem luxo da França, Kanté colheu lixo das ruas de Paris no título de 98
Franca2

Herói sem luxo da França, Kanté colheu lixo das ruas de Paris no título de 98

A Copa do Mundo de 1998 rendeu muito trabalho a N’Golo Kanté. Aos sete anos de idade, o menino nascido em Paris, filho de imigrantes de Mali, recolhia lixo nas ruas para depois enviar a uma empresa de reciclagem. Era sua contribuição com a família humilde.

O título da França deixou latas, garrafas, papéis e muita alegria nas ruas da capital, além de ter fortalecido os laços esportivos de um país multirracial com protagonistas campeões, entre eles Liliam Thuram, Marcel Desailly, entre tantos outros.

Kanté caminhou muito para limpar Paris. Hoje, 20 anos depois, ele está dentro do campo. Ele pode ser bicampeão mundial com a França neste domingo, na final contra a Croácia. Ele limpa o terreno para deixar seus zagueiros protegidos e seus meias confortáveis. Ele continua andando muito.

Na Copa da Rússia, Kanté já percorreu 62,6 quilômetros. É o quarto no quesito, sendo que dois dos que estão à sua frente, os croatas Modric e Rakitic, disputaram três prorrogações e, portanto, têm praticamente um jogo inteiro a mais do que o francês em minutos disputados.

Ranking de distâncias percorridas na Copa-2018:

  1. Modric (Croácia): 63km
  2. Zobnin (Rússia): 62,9km
  3. Rakitic (Croácia): 62,8km
  4. Kanté (França): 62,6km
  5. Perisic (Croácia): 62,4km

Pense num jogador tímido. Kanté costuma ficar sem jeito diante de elogios ou conquistas, como, por exemplo, quando foi eleito, em votação com os atletas da Premier League, o melhor jogador da temporada 2015/16, a do histórico e inesperado título inglês de um clube tão modesto como o Leicester.

– Ele é reservado, calmo, tímido. Fica jogando cartas. Nós nos falamos, damos conselhos. É uma relação especial. Brincamos muito. Ele é muito gozador. Eu me dou muito bem com ele, com todo mundo. Cada um tem sua personalidade. Mas nos damos muito bem – elogiou o meia Pogba, muito mais midiático e um dos beneficiados pela segurança do companheiro.

Kanté marca Messi em França x Argentina na Arena Kazan,nas oitavas de final; com o craque do Barça bem marcado pelo volante, ataque francês fez a diferença (Foto: Catherine Ivill/Getty Images) Kanté marca Messi em França x Argentina na Arena Kazan,nas oitavas de final; com o craque do Barça bem marcado pelo volante, ataque francês fez a diferença (Foto: Catherine Ivill/Getty Images)

Kanté marca Messi em França x Argentina na Arena Kazan,nas oitavas de final; com o craque do Barça bem marcado pelo volante, ataque francês fez a diferença (Foto: Catherine Ivill/Getty Images)

Negociado com o Chelsea, ele ainda chega aos treinos dirigindo seu Mini-Cooper, enquanto os companheiros estacionam espaçonaves no centro de treinamento. O volante alega que o carro, pequeno como ele, que tem 1,68m de altura, o ajudou a se acostumar com a mão inglesa – o motorista fica do lado direito.

Os atos humildes são fruto de uma infância penosa. Kanté perdeu o pai aos 11 anos. Quando ingressou no futebol amador, a estatura impediu que grandes clubes franceses lhe dedicassem atenção. A dúvida de todos também era dele. Um ex-colega de clube em Boulogne, Eric Vandenabeele, contou à revista “Four Four Two” que enquanto assistam a um jogo da Liga Europa, ele previu que o amigo Kanté um dia estaria lá.

– Sem chance – respondeu o hoje finalista da Copa, com uma risada tímida.

O plano B de Kanté foi o curso de contabilidade. Aos 18 anos ele recebeu o bacharelado, e depois ainda estudou mais dois anos. Mas, felizmente para a França, o Caen reconheceu que o baixinho do meio-campo poderia ser útil e lhe abriu portas.

O contador voltou a percorrer quilômetros. Não era atrás de lixo, e sim atrás da bola. Para roubá-la e entregá-la à criação dos companheiros.

Esta notícia foi lida 44 vezes!

Autor redacao

Deixe uma Resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *

*