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No cenário internacional, Neymar perde valor; Cristiano Ronaldo sobe

A exemplo do cenário nacional, a composição do valor de mercado das grandes estrelas internacionais é formada por fatores que se localizam dentro e fora de campo. Nesse contexto, especialistas em Economia do Esporte apontam que dois craques internacionais ficaram em lados opostos em 2019 em relação à construção de imagem: Neymar e Cristiano Ronaldo.

“Não há dúvidas de que Neymar é um exemplo negativo e Cristiano Ronaldo é um nome positivo em relação à valorização no mercado em 2019”, opina Raquel Duarte Hadler, professora de Marketing Esportivo da Universidade Presbiteriana Mackenzie de Campinas. “Do ponto de vista mercadológico, vamos fatores podem contribuir para a valorização de um atleta. A atuação em campo é central. Mas não é apenas nisso. É preciso olhar o contexto, inclusive a vida pessoal. Se for carismático, com posições firmes e valores morais alinhados com o público, o jogador pode se valorizar. Carisma, reputação e a imagem construída também influenciam no valor de um atleta”, diz a especialista.

Neymar sofreu com lesões seguidas, teve atuações irregulares ao longo da temporada e enfrentou até uma acusação de estupro que acabou arquivada pelo Ministério Público brasileiro. Por conta disso, ele perdeu R$ 277 milhões de valor de mercado, de acordo com um estudo feito pelo Centro Internacional de Estudo do Esporte (CIES), organização independente de pesquisa com sede na Suíça. Hoje, seu valor no mercado é de 180 milhões de euros, de acordo com o site Transfermarket.

Por outro lado, Cristiano Ronaldo conseguiu transferir grande parte de sua visibilidade e apelo mercadológico do Real Madrid para o Juventus de Turim, seu novo clube em 2019. “Cada vez mais os clubes analisam também a capacidade que o atleta tem de gerar resultado financeiro, além do esportivo: a chegada do Cristiano Ronaldo à Juventus, por exemplo, gerou venda de mais de 520 mil camisas do clube em três dias. Inversamente, um jogador com histórico de comportamento ruim fora de campo tem seu valor depreciado no mercado, já que pode gerar impactos negativos à imagem do seu clube”, opina Fernando Trevisan, criador de cursos e eventos na área de gestão esportiva.

Cristiano Ronaldo

Cristiano Ronaldo, atacante da Juventus Foto: Marco Bertorello/AFP

Pedro Daniel, diretor executivo da Ernst & Young, também cita o exemplo do jogador português. “A Juventus teve uma valorização de marca, com impacto nas mídias sociais e posicionamento. Isso é muito importante para um clube”, opina.

Outro ponto de consenso entre estudiosos é que os jogadores serão cada vez mais valorizados. A última janela de transferências na Europa, entre julho e setembro, novamente alcançou valores bilionários. Só as 10 maiores contratações movimentaram quase R$ 25 bilhões.

“A transação do Neymar foi o ponto de inflexão no mercado de transferências, pois trouxe valores que até então não eram cogitados para essas transações. Com o fortalecimento financeiro dos clubes europeus e a necessidade de contarem com estrelas em seus planteis, o mercado continuará aquecido e os valores globais gastos na aquisição de atletas continuarão anualmente aumentando”, opina o advogado Eduardo Carlezzo, especialista em Direito Desportivo.

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Autor redacao

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