(16) 3826-3000
(16) 9.9995-9011
Home / Internacional / Com condenação de ‘El Chapo”, mexicanos não acreditam em diminuição do tráfico e violência
Elchapo

Com condenação de ‘El Chapo”, mexicanos não acreditam em diminuição do tráfico e violência

Um ar de sarcasmo toma conta do estado mexicano de Sinaloa, berço do legendário narcotraficante mexicano Joaquín “El Chapo” Guzmán, sentenciado a prisão perpétua nos Estados Unidos nesta quarta-feira, 17. 

Moradores desta região árida na costa oeste do México asseguram com sorrisos de indignação que nem a violência, nem o tráfico de drogas diminuirão. No imaginário popular de Sinaloa, um cartel que surgiu na década de 1980 e que leva o nome do estado do noroeste mexicano ainda tem presente a figura de “El Chapo” e de seu ex-sócio Ismael “El Mayo” Zambada, que está foragido.

 

 

ctv-b7e-sinaloa-el-chapo

 
Uma vendedora mostra uma camiseta com o retrato do narcotraficante mexicano “El Chapo” em uma loja ao lado da capela dedicada a Jesus Malverde em Culiacán, capital de Sinaloa, no noroeste do México. Nos dizeres na roupa, a frase “Em quem eu confio”, seguida do nome de “El Chapo” como resposta. Foto: Pedro Pardo/AFP
 

Diante dos testemunhos que dão calafrios, expostos durante o histórico julgamento e a sentença de prisão perpétua com 30 anos adicionais imposta nesta quarta por um juíz em Nova York, além do pagamento de uma indenização de US$ 12,6 bilhões, alguns em Sinaloa continuam acreditando que “El Chapo” foi o responsável pela construção de escolas, igrejas, estradas e, em suma, foi um benfeitor.

Majoritariamente, os sinaloenses ainda tiram-lhe a responsabilidade de assassinatos e sequestros. “Eu acredito que não (foi justo). Ele também foi uma pessoa boa, que ajudou os necessitados”, disse à Agência France Press Lupita Ramos, uma dona de casa de 46 anos, ao saber da notícia. A mulher fala diante do altar do mítico Jesús Malverde, conhecido coloquialmente como “O Santo dos Narcos”, um lugar repleto de fotografias e bilhetes de agradecimentos, no centro da capital do estado, Culiacán. 

Ao lado de um busto de Malverde, que segundo a lenda era um bandido que roubava dos ricos para dar aos pobres ao estilo Robin Hood, uma mulher limpava, na terça-feira, uma estatueta de gesso de Guzmán: virado para cima, um rifle AK 47 em riste, vestido com uma camisa rosa e calça azul.

ctv-rkz-venda-chapo

 
Em destaque, uma estatueta do narcotraficante mexicano Joaquín “El Chapo” Guzmán é vendida junto com outros produtos em comércio em frente à capela do “Santo Jesús Malverde”, conhecido como o santo dos narcotraficantes, em Culiacán, capital de Sinaloa, no México. O número 701 foi dado a “El Chapo” na lista de 2009 dos Bilionários do Mundo da revista Forbes.  Foto: Jesus Bustamante/REUTERS

Para o ferroviário Juan Antonio Orozco, de 39 anos, o tráfico de drogas não vai acabar com a prisão perpétua de Guzmán. “Acho difícil que acabe… cai um e surge outro, são coisas que nunca acabam”, diz enquanto aguarda do lado de fora da capela. “Parecia” que essa seria a sentença, “por todo o tráfico ocorrido, e as mortes e tudo o mais, era de se esperar que os Estados Unidos” queriam esse fracasso, afirma cabisbaixo, mas logo levanta um pouco a voz para dizer que, em Culiacán, “o respeitam porque ele ajuda as pessoas”.

Mas, apesar das supostas obras públicas em Sinaloa impulsionadas por “El Chapo”, que segundo a justiça americana deveria ter pelo menos US$ 12 bilhões em seus cofres, a desigualdade é impactante. Próximo a casebres feitos com tábuas de madeira, se encontra o cemitério Jardines de Humaya, onde muitos narcotraficantes estão enterrados. É famoso pelos mausoléus extravagantes que chegam a ter até três andares, ar condicionado e portas de vidro blindado.

ctv-dwy-culiacan
Vista aérea do cemitério Jardines del Humaya, conhecido pelos mausoléus e

Esta notícia foi lida 51 vezes!

Autor redacao

Deixe uma Resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *

*