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‘É terrivelmente injusto Brasil ser visto como ameaça global’, diz Ernesto Araújo sobre covid-19

Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA – O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, considera “terrivelmente injusto” o Brasil ser visto como ameaça global por ter se tornado o epicentro da pandemia da covid-19, com recorde de novas mortes e infecções pelo coronavírus e celeiro de uma cepa com maior poder de transmissão. O alerta de que o descontrole da doença no País poderia colocar em risco o resto do mundo foi feito pela própria Organização Mundial de Saúde (OMS), no início do mês.

Ernesto Araújo reage ao que considera “discriminação” com o Brasil e pontua que prometida “solidariedade” dos países ricos na distribuição mais igualitária de imunizantes não existiu até agora. O chefe da diplomacia bolsonarista, porém, desacredita a tentativa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), provável adversário eleitoral de Bolsonaro, de servir como interlocutor junto ao presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, para propor uma reunião do G-20 sobre vacinas. “Lula não tem credibilidade nenhuma”, diz o chanceler.

Ícone de militantes conservadores, criticado por diplomatas e com a demissão cobrada dentro e fora do governo, o ministro afirma não se sentir ameaçado por desempenhar um trabalho em nome do presidente e não pessoal: “Tenho certeza que não há nada desse tipo sendo pensado. Meu trabalho não é meu, é a implementação de uma agenda de política externa que o presidente traz desde a campanha”.
O ministro recebeu a reportagem do Estadão para uma entrevista exclusiva, realizada no gabinete dele, no Palácio Itamaraty, na última sexta-feira, dia 19. A seguir os principais trechos da entrevista:

O Brasil tem sido visto como uma ameaça global neste momento da pandemia. O que o Itamaraty pode fazer para que o Brasil não seja visto dessa forma?

Acho que isso é, antes de tudo, terrivelmente injusto, porque surgiram cepas em outros lugares. O próprio vírus surgiu na China e ninguém está falando na China como uma ameaça nesse sentido. As pessoas até falavam, mas vamos falar das novas cepas. Surgiram no Reino Unido e na África do Sul. E ninguém diz que o Reino Unido e a África do Sul são ameaças globais. O Brasil está com números altos, claro, infelizmente. Estamos sendo golpeados por essa doença, obviamente. Existe aí uma visão um pouco discriminatória em relação ao Brasil. Como se termos variantes aqui fosse uma ameaça, mas ter variantes em outros lugares não fosse. A gente pode fazer o que está sendo feito. Acelerar o processo de vacinação, estamos conseguindo vacinas de várias frentes possíveis. É importante que haja esse escrutínio mundial, mas que seja baseado nos fatos, e não nessa percepção de algo fora do controle, que o Brasil está sendo uma fonte de problemas. Acho que isso não corresponde à realidade, porque não bate com aquilo que se diz de outros países.

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