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Em baixa nas pesquisas e com economia em queda, Trump sugere adiar eleições

Beatriz Bulla/ Correspondente, Washington  , O Estado de S.Paulo

Pressionado pelo mau resultado nas pesquisas eleitorais, o presidente Donald Trump defendeu nesta quinta-feira, 30, pela primeira vez, o adiamento da eleição americana agendada para 3 de novembro após fazer críticas à ampliação do voto por correio na disputa deste ano. No início da noite, em entrevista coletiva, Trump sugeriu que o voto por correio pode fazer com que não se conheça o vencedor por “semanas, meses ou até anos”.

“Quero ter o resultado da eleição. Não quero esperar por três meses e descobrir que há cédulas faltando”, disse Trump, no início da noite. Pela manhã, no Twitter, o presidente afirmou que a votação será a “mais imprecisa e fraudulenta da história”. “Será uma grande vergonha para os EUA. Adiar as eleições até que as pessoas possam votar de maneira adequada, segura e protegida???”, escreveu o presidente. O tuíte veio pouco depois de o Departamento de Comércio anunciar uma queda recorde, de 32,9%, no Produto Interno Bruto (PIB), no segundo trimestre deste ano.

A proposta teve forte reação contrária de parlamentares, incluindo republicanos. Horas mais tarde, ao responder a perguntas de jornalistas na Casa Branca, ele disse que não gostaria de mudar a data mas continuou a desacreditar o processo eleitoral e sugerir que há fraude no uso de voto por correio. O movimento foi um passo adiante na estratégia do presidente de desacreditar o processo eleitoral, conforme perde espaço para o democrata Joe Biden na disputa pela Casa Branca.

Donald Trump
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em evento público Foto: JIM WATSON / AFP

Sondagens nacionais de diferentes institutos, compiladas pelo site Five Thirty Eight, mostram o ex-vice-presidente com 8 pontos porcentuais na frente de Trump. Em Estados que deram a vitória a republicano em 2016, a diferença em favor de Biden é de 7 pontos porcentuais.

Trump não teria autoridade para determinar o adiamento das eleições, pois a constituição americana estabelece que cabe ao Congresso decidir o calendário eleitoral e a definição da data foi estabelecida em lei federal de 1845. Para alterar o calendário, seria necessário chegar a um acordo bipartidário nas duas casas legislativas — Câmara, de maioria democrata, e o Senado, de maioria republicana.

Nenhum dos dois partidos abraçou a sugestão. Parlamentares rechaçaram a possibilidade de mudar a data da eleição imediatamente após o tuíte de Trump. O líder da maioria no Senado, o republicano Mitch McConnell, disse que “nunca na história do país, entre guerras, depressões e Guerra Civil” os americanos deixaram de ter o cronograma eleitoral cumprido.

“Nós encontraremos um jeito de fazer isso novamente em 3 de novembro”, afirmou em uma entrevista. Ted Cruz, Marco Rubio e Lindsey Graham, republicanos que são parte do apoio sólido de Trump no Senado, também refutaram a possibilidade.

Ainda que os parlamentares dos dois partidos aderissem à possibilidade de mudar a data da eleição, o que é improvável no cenário atual, há pouco espaço para efetuar a mudança. As datas de posse do presidente, em 20 de janeiro, e do Congresso, em 3 de janeiro, são estabelecidas na Constituição e não podem ser alteradas em um processo legislativo tradicional.

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