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Entenda a política de separação de crianças imigrantes que causa polêmica nos EUA

Tem causado forte polêmica nos Estados Unidos a recente determinação de “tolerância zero” aos imigrantes ilegais na fronteira com o México. As críticas à administração de Donald Trump foram geradas pelo fato de que crianças são separadas de seus pais ou tutores que tentam entrar ilegalmente no país.

Veja abaixo perguntas e respostas que explicam o caso:

O que diz a política?

A política estabelece que todo adulto que for pego atravessando a fronteira ilegalmente deve ser criminalmente processado. Se for capturado, o indivíduo é levado a um centro federal de detenção de imigrantes até que se apresente a uma juiz de imigração.

A política não fala em “separação”, porém isso acaba sendo inevitável na prática, já que as crianças não podem ser mantidas nesses centros.

Como funcionava antes?

Antes da nova política, as famílias que chegavam na fronteira sem autorização e que alegavam medo de voltar para a casa eram autorizados a entrar em território americano e pedir refúgio. Durante o processo de solicitação de refúgio o imigrante podia ou não ser detido, dependendo de uma série de fatores, inclusive a disponibilidade de vaga nos centros de detenção. Também era realizadas audiências na fronteira, e a família toda poderia ser deportada.

O que acontece com as crianças?

Ao serem separadas de seus pais, as crianças são designadas pelo governo como “crianças imigrantes desacompanhadas” e, por isso, são levadas para abrigos sob custódia do governo, sem saber para onde seus pais foram. Imagens mostram crianças dentro de grades, dormindo em colchões no chão com cobertores de alumínio.

Um áudio divulgado nesta segunda mostra crianças chorando ao serem separadas dos pais.

De acordo com o governo, em um recente período de seis semanas, quase 2.000 menores de idade foram separados de seus pais ou tutores.

Segundo os dados, 1.995 menores de idade foram separados de 1.940 adultos que os acompanhavam na travessia entre os dias 19 de abril e 31 de maio.

A política é nova?

Sim. Mas de acordo com uma entrevista à rede CNN de Doris Meissner, diretor do programa de política imigratória dos EUA do Instituto de Política Migratória, ela se baseia em esforços das administrações de George Bush e Barack Obama. Em 2005, Bush lançou uma operação em uma seção da fronteira no estado do Texas que estabelecia o processo criminal aos imigrante ilegais que atravessassem. A operação foi estendida a outros pontos da fronteira e continuou durante a administração Obama.

“Ainda assim, o fenômeno das famílias que chegam juntas à fronteira dos Estados Unidos com o México data apenas dos últimos anos, e não foi um [fenômeno] que as administrações de Bush ou do início de Obama enfrentaram em números significativos”, observou Meissner na entrevista.

“Poucas crianças foram separadas de suas famílias durante as gestões anteriores, como resultado do processo criminal dos pais”, disse.

Qual é a repercussão nacional?

Trump é alvo de uma avalanche de críticas, tanto de democratas como de republicanos, contra o endurecimento da medida.

No Congresso, a oposição democrata denuncia uma prática “diabólica”. “Eles chamam isso de ‘tolerância zero’, mas seria mais correto chamar de ‘humanidade zero’, e não há lógica para esta política”, declarou o senador Jeff Merkley (Oregon), que lidera um grupo de legisladores democratas que visitou a fronteira.

O ex-presidente Bill Clinton denunciou no Twitter que “essas crianças não devem ser usadas como ferramenta de negociação”.

A ex-secretária de Estado e rival de Trump nas últimas eleições Hillary Clinton acusou o presidente de usar as crianças para fins políticos.

“Isso é uma crise humanitária e moral. Todo ser humano com um senso de compaixão e decência deveria ficar indignado”, afirmou Hillary.

Mas o mal-estar também se instalou inclusive entre a maioria republicana. O senador republicano John McCain disse que o governo deve interromper “agora” e que a separação familiar é “uma afronta à decência do povo norte-americano e contra os princípios e valores nos quais a nação foi fundada”.

Neste domingo, a primeira-dama Melania Trump disse que “detesta” ver crianças separadas de suas famílias e defendeu um acordo bipartidário para reformular as leis migratórias.

A ex-primeira-dama Laura Bush, mulher do ex-presidente republicano George W. Bush, criticou abertamente a abordagem republicana em um artigo publicado neste domingo no ” The Washington Post”.

“Moro em um estado fronteiriço. Compreendo a necessidade de reforçar e proteger as fronteiras, mas esta política de tolerância zero é cruel. É imoral. E isso quebra o meu coração”, afirmou Laura.

Michelle Obama, mulher do ex-presidente democrata Barack Obama, retuitou o comentário de Laura Bush afirmando: “Às vezes a verdade transcende partido”.

Qual é a posição de Trump?

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Autor redacao

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