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Essa ditadura vai acabar’, afirma Leopoldo López

ribunal chavista ordena prisão de líder opositor que deixou domiciliar para se refugiar na embaixada da Espanha; primeiro-ministro do país europeu diz que espera que Caracas respeite os acordos de inviolabilidade

Pablo Pereira  , ENVIADO ESPECIAL / CARACAS

CARACAS – O Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Venezuela, controlado pelo chavismo, emitiu nesta quinta-feira, 2, uma ordem de prisão contra o líder opositor Leopoldo López, que fugiu na terça-feira de sua prisão domiciliar em Caracas e se refugiou na embaixada espanhola. O governo da Espanha disse que não pretende entregá-lo, o que abre um novo incidente diplomático para o já isolado governo chavista.

López fez um pronunciamento à imprensa no fim da tarde de quinta-feira,2, depois da emissão do mandado de prisão, na porta da residência do embaixador. Ele afirmou que participou das negociações da oposição com membros da elite chavista descontentes com Maduro mesmo em prisão domiciliar. “Em 30 de abril, um grupo grande de militares deu um passo importante. Falei com muitos generais, isso posso contar. Não fiquei inativo nem um só dia (na prisão domiciliar)”, disse López. “Nada do que temos feito foi no improviso. Virão mais rupturas no Exército. Essa ditadura vai acabar.”

 
 

O líder da oposição está na residência do embaixador espanhol na Venezuela, Jesús Silva. A residência só pode ser acessada por autoridades venezuelanas com permissão do governo espanhol. Segundo o comunicado do governo do primeiro-ministro socialista Pedro Sánchez, o opositor está na residência na condição de hóspede e a Espanha acredita que as autoridades respeitarão a inviolabilidade da residência do embaixador. 

Duas convenções da ONU asseguram a inviolabilidade das instalações, prédios, comunicações e veículos das repartições consulares e diplomáticas, como também a imunidade de jurisdição aos agentes diplomáticos e consulares no exercício de sua função. A Venezuela é signatária dos acordos, e rompê-los poderia justificar uma resposta mais dura de outros governos.

Para analistas, a estratégia do chavismo não é tentar prender López, mas desidratar a oposição. “Ele tenta emparedar López. Com o pedido de prisão emitido, o governo venezuelano pode alegar que López cometeu um crime antes de ir para a embaixada e, portanto, é um criminoso que pediu asilo de forma irregular, para fugir da justiça local”, afirma Matias Spektor, professor de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas. “Isso tornaria difícil para a Espanha, por exemplo, pedir um salvo-conduto para retirar López da embaixada e levá-lo ao aeroporto para ele se exilar na Espanha.”

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Na decisão, o tribunal afirmou que a prisão domiciliar foi revogada por “ter sido flagrantemente violada”. Ainda de acordo com o TSJ, López também descumpriu uma proibição para fazer pronunciamentos políticos a meios de comunicação nacionais e internacionais. O TSJ quer que o líder do partido Vontade Popular retorne à prisão militar de Ramo Verde, em Caracas, e cumpra em regime fechado o restante de sua pena de 13 anos e 9 meses. 

O mandado ainda diz que a prisão deve ser efetuada por agentes do serviço secreto venezuelano, o Sebin. A agência está no foco do descontentamento militar contra Maduro. O general que comandou o órgão até terça-feira, Manuel Cristopher Figuera, rompeu com o chavismo e permitiu a fuga de López. Seu paradeiro é desconhecido. Ele foi substituído por um militar próximo do homem forte do chavismo, Diosdado Cabello. Mais cedo, a mulher de López denunciou uma invasão de sua residência por agentes do governo em Caracas. “Há agentes patriotas no Sebin, mas há também agentes maus, leais ao regime”, disse Lilian Tintori.

Após deixar a prisão domiciliar, López se juntou ao autodeclarado presidente interino Juan Guaidó na tentativa de reunir apoio de dissidentes militares para depor Maduro. Na quarta-feira, Guaidó convocou uma greve geral progressiva. Na quinta, 2, não havia sinais de adesão a essa paralisação, mesmo em áreas opositoras de Caracas. 

Na região das embaixadas, área da Praça da França, conhecida como Praça Altamira, local de confrontos entre manifestantes pró-Guaidó e a polícia de Maduro no 1.º de Maio, lojas, restaurantes e edifícios comerciais e repartições públicas também funcionaram normalmente.

 

“A vida segue, precisamos trabalhar, pois a situação não está fácil”, disse um comerciante da Avenida San Juan Bosco. O mesmo repetiu o funcionário que comanda um restaurante em Las Mercedes. “Não houve greve, Caracas está voltando ao normal e tivemos movimento de um dia comum”, afirmou o gerente do restaurante que fica ao lado do Largo de Las Mercedes, local de grandes concentrações e eventos públicos.

A oposição promete manter a pressão das ruas para provocar mais danos políticos ao governo. “Temos que vender. Aqui está tudo normal”, afirmou o lojista Alejandro Aristimuno, de uma loja de produtos masculinos, também na região de Las Mercedes. / COLABOROU RODRIGO TURRER

 

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