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Venezuela's President Nicolas Maduro attends a ceremony to mark the opening of the judicial year at the Supreme Court of Justice (TSJ) in Caracas, Venezuela February 14, 2018. REUTERS/Marco Bello
Venezuela's President Nicolas Maduro attends a ceremony to mark the opening of the judicial year at the Supreme Court of Justice (TSJ) in Caracas, Venezuela February 14, 2018. REUTERS/Marco Bello

Ex-aliado do chavismo, juiz venezuelano foge do país

 

Christian Zerpa, ex-integrante do partido oficialista, afirma que tomou a decisão para não presenciar a posse do segundo mandato do presidente Nicolás Maduro

Redação, O Estado de S.Paulo

 Um juiz do Supremo Tribunal de Justiça (TSJ) da Venezueladesertou por não concordar com a posse de Nicolás Maduro para o segundo mandato presidencial (2019-2025) e fugiu para o exterior, informou neste domingo, 6, o tribunal. Christian Zerpa foi para os Estados Unidos e afirmou à imprensa venezuelana que mais magistrados podem desertar.

O TSJ acusa Zerpa de fugir da Venezuela para se esquivar de uma investigação por crimes sexuais. A mais alta corte do país tem seguido as decisões do Executivo e rejeitado medidas adotadas pelo Parlamento venezuelano, controlado pela oposição. 

 

Um dia depois de boatos sobre o rompimento de Zerpa com o governo Maduro e sua decisão de fugir para a Flórida com a família, o TSJ – de linha oficialista – anunciou em comunicado a investigação por “assédio sexual, atos lascivos e violência psicológica” contra funcionárias de seu escritório.

Segundo o tribunal, Zerpa era investigado formalmente desde o dia 23 de novembro do ano passsdo, mas as acusações não haviam sido divulgadas. O presidente do TSJ, Maikel Moreno, assegurou que diante de “repetidas queixas de conduta indecente e comportamento imoral”, as autoridades iniciaram uma ação judicial contra Zerpa. 

Moreno negou que a fuga do magistrado seja um sinal de divisões dentro da corte. “Longe de nos separar, esse fato nos une”.

No sábado, jornalistas venezuelanos que moram nos EUA relataram a fuga de Zerpa para a Flórida. O TSJ não confirma o país de destino do magistrado que desertou.

Zerpa militou no oficialista Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) e é alvo de sanções financeiras do Canadá. Ele foi nomeado para o TSJ pela antiga maioria parlamentar governista em dezembro de 2015, alguns dias antes de a oposição assumir o controle da Câmara.

De acordo com a jornalista Carla Angola, que o entrevistou nos EUA, Zerpa está disposto a colaborar com o sistema de justiça americano nas investigações sobre corrupção e violações de direitos humanos contra funcionários públicos e colaboradores do governo Maduro.

Na entrevista, o ex-chavista conta que foi nomeado de “forma rápida por ser (na ocasião) um dos leais (ao governo)”, mas não se sentia a vontade para continuar apoiando o regime Maduro. “Não podia continuar segurando isso, não quero que Maduro seja juramentado.”

O ex-deputado do PSUV explicou ainda que dentro do TSJ há uma preocupação com o que pode acontecer nos próximos dias e um temor de mais violência no país.

O presidente Maduro toma posse para o segundo mandato na quinta-feira, mas no sábado o Parlamento de maioria opositora retomou suas funções e afirmou que não reconhecerá a presidência de Maduro. “Reafirmamos a ilegitimidade de Nicolás Maduro. A partir de 10 de janeiro, ele estará usurpando a Presidência e, consequentemente, esta Assembleia Nacional é a única representação legítima do povo”, disse o novo presidente do Legislativo, o opositor Juan Guaidó.

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