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No Chile, vacinação considerada exemplo não impede os novos casos de covid

Moradores vacinados contam que se sentem mais protegidos, mas precisam pensar em quem não foi imunizado

Rafael Carneiro, ESPECIAL PARA O ESTADÃO / CHILE, O Estado de S.Paulo

SANTIAGO – Dados mais recentes publicados pelo jornal The New York Times, mostram que o Chile é o quinto país que mais imunizou contra a covid-19 no mundo. Já são 3,8 milhões de pessoas que completaram o seu processo de vacinação e isso deu mais segurança em relação à doença para algumas delas. Apesar do sucesso e da liderança na América Latina, o país passa por um período bastante complicado, com aumento expressivo de casos diários e restrições cada vez mais severas impostas pelo governo.

Há 25 anos, Patricia França resolveu deixar São Paulo e se mudar para Santiago com o então namorado. Na capital chilena, constituiu família e se formou em psicologia. Em março de 2020, ela foi uma das várias pessoas que tiveram a sua vida alterada por conta da pandemia da covid-19. Trocou o consultório pelo jardim de sua casa e o atendimento passou a ser online. No início do mês passado, a brasileira tomou a segunda dose da vacina Sinovac, o que a deixou mais tranquila. Porém, ela diz que segue tomando alguns cuidados.

A psicóloga de 44 anos mora na região de Maipú, que desde o dia 25 de março está em quarentena total. Após ser imunizada, ela mudou alguns pequenos hábitos. “Sei que se eu for contaminada, não vou desenvolver a forma mais grave da doença. Antes de voltarmos para a fase de confinamento, eu estava indo com mais frequência ao supermercado, ao shopping. No trabalho, apenas entre nós médicos não usamos mais máscaras e voltamos a tomar café da manhã juntos”, conta.

Chile - vacina covid
Após ser vacinado, advogado chileno deixa álcool em gel de lado em algumas ocasiões  Foto: Raul Riveros – arquivo pessoal

Assim como Patricia, o advogado Raul Riveros também completou o seu processo de imunização e agora se sente “um pouco mais livre”. Ele vive em Antofagasta, norte do Chile, e estava pronto para voltar ao escritório no próximo dia 5 de abril. Mas, por conta da gravidade da pandemia na cidade, um comunicado enviado de última hora postergou o retorno para maio. Por enquanto, ele segue participando das audiências desde a sua residência.

“A vacina te dá uma certa proteção diante dos outros, mas é preciso também ter a precaução e a consciência de que você pode transmitir a doença para quem não está vacinado. Eu não ando mais com álcool em gel para todos os lados, por exemplo. A preocupação com você é menor, mas com os outros segue”, afirma o chileno de 45 anos.

Um estudo americano do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), mostra que após uma pessoa ser vacinada, ela pode voltar a se encontrar com outras e dispensar o uso de máscara. A infectologista e acadêmica da Universidad de Chile, Claudia Cortes, alerta que o trabalho foi feito com base nos imunizantes Pfizer e Moderna. Portanto, essas recomendações não deveriam ser aplicadas no país sul-americano. “A vacina que vem sendo administrada em maior quantidade no Chile é a Sinovac, que tem um nível de proteção mais baixo em relação a essas duas”.

Desde fevereiro, o país vive uma segunda onda da covid-19, mais agressiva que a primeira. Para a Dr. Claudia, isso se deve, principalmente, a três fatores: à falha comunicacional do governo, que comemorou muito o início da vacinação massiva, e isso fez com que a população acreditasse que a pandemia estivesse perto do fim e relaxasse as medidas de proteção; às permissões concedidas para o período das férias, promovendo muitas locomoções dentro do país; e às novas variantes do vírus, sobretudo a brasileira. Ainda de acordo com a infectologista, estima-se que 80% da população estará vacinada ao final do primeiro semestre e isso “pode melhorar muito a situação”.

Segundo o balanço mais recente divulgado pelo Ministério da Saúde do Chile, até o momento, 44% da população objetivo já recebeu ao menos uma dose da vacina. No sábado, o governo anunciou que em 24 horas houve 8.022 novos casos e 103 mortos. O país contabiliza um total de 1.019.478 casos e 23.524 falecimentos desde o início da pandemia.

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