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R$ 270 mil e 3 anos para subir a fila do Everest

 
Murillo Ferrari, O Estado de S.Paulo

Desde 1953, quando o neozelandês Edmund Hillary e o sherpa Tenzing Norgay chegaram pela primeira vez ao cume do Monte Everest, cerca de 5 mil pessoas já repetiram o feito e conquistaram o topo do mundo, a 8.848 metros de altitude. Mas, mesmo com todo o avanço tecnológico, a escalada continua sendo extremamente perigosa.

Em seis décadas, mais de 300 pessoas morreram – 11 delas neste ano – em expedições que fracassaram em razão do clima, de avalanches, tempestades, mas também por erros de planejamento, que podem resultar, por exemplo, na falta de oxigênio.

Especialistas ouvidos pelo Estado estimam que, para reduzir os riscos, são necessários, em média, três anos de preparação e investimento de R$ 270 mil – incluindo R$ 45 mil entre cursos e testes práticos em locais de menor exigência técnica e R$ 40 mil de equipamento. Além disso, a jornada ao topo do Everest propriamente dita, que dura cerca de 50 dias, não sai por menos de R$ 185 mil, já incluindo o transporte até o Nepal, a taxa de R$ 43 mil (US$ 11 mil) paga ao governo para obter a permissão de escalada, a logística necessária nos acampamentos de apoio e a companhia de um guia local – um sherpa. Para alguns, o gasto em tempo e dinheiro é maior. 

O empresário Francisco Amaral, de 39 anos, decidiu mudar seu estilo de vida sedentário e se empenha desde 2015 em concretizar a aventura. “Desde a escola, tive muito contato com a natureza, com trilhas e trekking. Quando resolvi cuidar de mim e buscar novos desafios, veio a ideia do Everest. A primeira coisa que pensei foi: preciso me preparar”, afirmou.

Desde então, passou a treinar, recuperou condicionamento físico, investiu na formação técnica – com cursos de escalada em rocha e em neve – e comprou equipamento. Fez subidas em locais mais acessíveis – no Equador, na Bolívia e na África – e foi, gradualmente, aumentando a dificuldade. Nesse processo, ele calcula ter gastado pelo menos R$ 155 mil. “É uma estimativa. Não considerei mensalidade de academia, personal trainer, alimentação adequada, entre outros fatores”, disse.

 

Em comparação com o começo da preparação, ele perdeu cerca de 10% de seu peso. “Treino seis vezes por semana, 2 horas por dia. Faço fortalecimento muscular, trabalho aeróbico e cardiopulmonar”, conta Amaral, que pretende subir o Everest entre abril e maio de 2020. “O último passo deve ser em setembro, quando tentarei escalar o Manaslu (oitava montanha mais alta do mundo, com 8.156 metros, também no Himalaia).”

Até a base do Everest (a 5.380 metros), Francisco terá a companhia da mulher, Daniela. “Para mim, não faria sentido fazer isso se ela não estivesse junto”, disse. Depois, ela volta ao Brasil, onde esperará com os três filhos do casal a chegada de Amaral ao cume. “Vou tentar chegar ao topo, mas com a segurança em primeiro lugar. O montanhismo tem de ser um meio de vida, não um meio de morte.”

 
 
 

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