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Ataques de Bolsonaro ao Supremo reativam ‘rede do ódio’ contra ministros

 

Vinícius Valfré, O Estado de S.Paulo

Ao encerrar a trégua com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e associá-los à ilegalidade e ao terrorismo, o presidente Jair Bolsonaro reativou uma série de ataques por parte de seus apoiadores, nas redes sociais, contra integrantes da Corte. O blogueiro foragido Allan dos Santos reproduziu o vídeo com as declarações de Bolsonaro ao site Gazeta Brasil e afirmou que o presidente precisa combater a “corja” do STF. “Todo puxa-saco é idiota. Lute firme contra essa corja, Bolsonaro”, escreveu ele.

Embora banido de Facebook e Twitter, Allan dos Santos continua ativo em plataformas como Telegram e Gettr, com mais de 100 mil seguidores em cada uma. Elas não têm representação no Brasil e não costumam cumprir ordens da Justiça brasileira. Como mostrou o Estadão, uma ala do Ministério Público Federal quer proibir o uso desses aplicativos por candidatos nas eleições de outubro.

O deputado Filipe Barros (PSL-PR), também alvo de inquérito sobre a publicação de notícias falsas contra o STF, usou seu perfil oficial para destacar a acusação feita por Bolsonaro de que os ministros são “defensores de Lula”. A publicação obteve mais de 20 mil interações e esteve entre as mais repercutidas sobre o tema no Facebook. Luís Roberto Barroso foi um dos ministros mais próximos do núcleo da Operação Lava Jato, investigação que resultou na prisão do petista, em 2018.

As afirmações do presidente também municiaram páginas apócrifas mantidas por apoiadores. Uma delas, a Opinião Verdade, publicou que o “STF já passou de todos os limites legais e ilegais” e que é “uma fábrica de aberrações jurídicas”.

Um outro perfil, intitulado Pixuleco, escreveu que “além de defender terrorista, Barroso adorava o João de Deus”. As críticas também tiveram repercussão em páginas do Facebook como “Bolsonaro Tem Razão”, “Jair Bolsonaro 2022”, “Brasil contra o PT” e “Eu Quero Lula na Cadeia”.

Na entrevista ao Gazeta Brasil, Bolsonaro acusou o ministro do STF Alexandre de Moraes de agir fora da Constituição, disse que Barroso “entende de terrorismo” e vinculou os dois magistrados à pré-campanha do ex-presidente Lula (PT) ao Palácio do Planalto.

Antes de ingressar no STF, Barroso atuou como advogado na defesa de Cesare Battisti, condenado à prisão perpétua na Itália. Moraes, por sua vez, é o relator dos principais processos que tramitam na Corte contra Bolsonaro e alguns de seus principais aliados.

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