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Sem Bolsonaro no debate, candidatos evitam ataques e defendem ‘pacificação’

Os candidatos à Presidência da República levaram para o debate TV Gazeta/Estado/Rádio Jovem Pan/Twitter, realizado na noite deste domingo, 9, em São Paulo, a mensagem de repúdio à violência que dominou a campanha nos últimos dias após o atentado contra Jair Bolsonaro (PSL). Internado após ser esfaqueado durante uma agenda eleitoral na quinta-feira passada, em Juiz de Fora (MG), o presidenciável do PSL não participou.

No primeiro encontro após o episódio, o radicalismo na política foi tratado como um entrave ao desenvolvimento do País. Em suas participações iniciais, Geraldo Alckmin (PSDB), Marina Silva (Rede) e Henrique Meirelles (MDB) defenderam a necessidade de se pacificar o ambiente público e a sociedade.

Com isso, houve espaço para os presidenciáveis tratarem de temas como educação, saúde, saneamento básico e até regulamentação fundiária. Marina defendeu proposta de educação integral. Ao falar sobre saneamento básico, Alckmin disse que o investimento na área, além do benefício direto à população, gera emprego. “Saneamento é emprego na veia, gera muita obra e muito emprego.” De olho no eleitorado feminino – maioria entre os indecisos –, Meirelles disse que, se eleito, vai punir empresas que paguem salários diferenciados entre homens e mulheres que exerçam a mesma função.

A bancada reservada para Bolsonaro foi retirada do estúdio por um acordo entre os candidatos presentes, que solicitaram à direção do debate a anulação da regra que determinava a permanência do púlpito vazio. O PT, como ainda não tem candidatura oficial – o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso na Lava Jato, foi barrado pela Justiça Eleitoral com base na Lei da Ficha Limpa – não teve representante. Participaram também do debate Ciro Gomes (PDT), Alvaro Dias (Podemos) e Guilherme Boulos (PSOL).

A violência na política foi protagonista do início e do fim do encontro entre os presidenciáveis. Alckmin e Marina foram os que mais abordaram o tema da “pacificação”. Primeiro a perguntar, Meirelles questionou o tucano sobre como pôr fim a “esse radicalismo que tanto prejudica o Brasil”, mencionando o fato “lamentável” envolvendo Bolsonaro. “É necessário um grande esforço conciliador. Sempre que há um esforço de união nacional, de pacificação, que é o que eu defendo, a democracia consolida-se”, respondeu Alckmin.

Meirelles, na réplica, criticou o adversário por usar a TV para fazer ataques a Bolsonaro: “Isso não é uma atitude de radicalização?” O tucano afirmou que o emedebista “não viu” seu programa. “Sou contra qualquer tipo de radicalismo.”

O fato ocorrido em Juiz de Fora estancou uma escalada agressiva na disputa presidencial e foi determinante para que as campanhas revisassem suas estratégias. No caso do candidato do PSDB, comerciais críticos a propostas e manifestações de Bolsonaro foram suspensos.

Ao ser questionado sobre a retórica do “nós contra eles”, Boulos citou o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e os tiros contra um ônibus da caravana de Lula no Paraná. “Temos que diferenciar o que é violência e ódio na política e o que é polarização social. Quando diferença transborda para o ódio, isso é inadmissível.”

Marina foi na mesma linha em suas considerações finais. “Para a face da violência e do desrespeito, temos que ter tolerância, respeito com as ideias dos outros. Não vamos chegar a lugar nenhum com um país dividido.” Ciro, no fim, foi o único a destoar: “Bolsonaro foi ferido na barriga, mas não mudou nada na cabeça.”

No início do debate, em um comunicado conjunto, Estado e TV Gazeta, Jovem Pan e Twitter repudiaram atos de violência e manifestaram solidariedade ao candidato do PSL. “Desejamos pronto restabelecimento para voltar à família e à campanha eleitoral”. /ADRIANA FERRAZ, MARIANNA HOLANDA, PEDRO VENCESLAU e GILBERTO AMENDOLA

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Autor redacao

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