Rodrigo Capelo analisa cenário do canal fechado após a Copa do Mundo de 2026. Crédito: Roteiro/Apresentação: Rodrigo Capelo; Edição: Amanda Dantas; Produção: Guilherme Barbosa e Beatriz de Souza; Câmera: Lucas Ghitelar
Todo mundo falou sobre a concorrência entre Globo e CazéTV durante a Copa do Mundo, não sem razão, mas um ângulo me parece ter passado batido da maioria. O alcance da televisão aberta no Brasil mantém a maior emissora do País em posição privilegiada no mercado — e ainda manterá por uns bons anos, apesar do crescimento do YouTube. Não é este o problema imediato para a família Marinho.
O problema imediato tem nome e chama SporTV. Na primeira Copa que o Grupo Globo não teve o domínio sobre todos os direitos de transmissão, as consequências mais complicadas de lidar estão no canal campeão.
O que a Globo fazia antes, quando detinha tudo? Ela colocava o filé na televisão aberta, a partida com mais potencial de audiência, reservava um ou dois jogos ótimos para a televisão fechada e guardava o pacote completo, exclusivo, para o Premiere, a plataforma de pay-per-view. Sem ter 100% dos direitos, tudo muda.
A TV Globo continuou a exibir o filé da Copa, e com isso alcançar 87% do público total do torneio. Sim, a audiência da televisão aberta está caindo ao longo dos anos e das décadas, mas ela ainda tem muito alcance, entre todas as faixas etárias e classes sociais, e isto faz com que a conta dos anunciantes feche.
Já o SporTV tem alguns problemas. Pelo menos três, eu diria. Em primeiro lugar, o meio no qual ele está instalado tem uma decadência muito mais acelerada. Você ainda assina um serviço de TV a cabo? Boa parte do público já migrou para os vários streamings — Netflix, Amazon Prime, Disney, e por aí vai. Logo, o SporTV até lidera o Ibope dentro da TV fechada, mas a própria TV fechada está minguando.
Segundo problema, o SporTV se valia da configuração anterior para ter uma audiência por inércia. Você sabe que vai ter jogo bom daqui a pouco, então deixa a televisão ligada antes, desde o Seleção, até depois, no Troca de Passes, e ainda tinha de bônus o melhor noticiário pela manhã com o Redação.
O que aconteceu durante a Copa: boa parte dessa audiência passou para a CazéTV. Eu não pretendia assistir ao Copazona, mas assisti a vários… porque já estava ali. E não me arrependo. Casimiro, Igor Rodrigues, Luisinho e Donan se zoam e são mais descontraídos, sim, mas falam de futebol tão bem quanto.
O SporTV, para se impor, precisaria se valer do bom conteúdo e migrar para a internet. Em vez disso, a Globo inventou o GE TV. E em vez de dar voz a Marcelo Barreto e Carlos Eduardo Mansur, craques da crônica esportiva, deu ênfase a Felipe Melo e Felipão. Deu certo? Me diz você. A não ser pela defesa desmedida do ex-volante a Neymar, que furou a bolha, negativamente, o que você viu do SporTV?
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