(16) 3826-3000
(16) 9.9995-9011
Home / Esportes / Aparelho usado pelo tenista Zverev para monitorar a glicose é luxo para quem tem diabetes no Brasil

Aparelho usado pelo tenista Zverev para monitorar a glicose é luxo para quem tem diabetes no Brasil

Você viu a cena do tenista Alexander Zverev, no meio da final do US Open, olhando repetidamente para um celular entre os pontos? Teve gente que estranhou, até porque não é permitido. Mas sabe o que ele estava fazendo? Controlando a própria glicose, em tempo real, enquanto disputava um Grand Slam. Pois é: Zverev tem diabetes tipo 1 desde os 4 anos, e o aparelho na mão dele é um monitor contínuo de glicose.

Aqui, quero fazer uma pergunta que interessa mais à saúde pública do que ao tênis: por que essa cena é possível para Zverev, e tão difícil para a maioria de quem convive com diabetes tipo 1 no Brasil? A resposta tem a ver com acesso.

O monitoramento contínuo de glicose reduz hipoglicemia grave, melhora o controle metabólico e é, hoje, considerado padrão ouro no controle do diabetes tipo 1, inclusive pelas sociedades médicas brasileiras. Mas, em dezembro de 2024, a Conitec, que é o órgão que decide o que entra no Sistema Único de Saúde (SUS), recomendou por unanimidade não incorporar esse sistema de monitoramento para pacientes com diabetes tipo 1 e tipo 2. O motivo declarado não foi falta de eficácia: foi custo.

Na prática, o SUS segue oferecendo o controle por fitas de glicemia capilar, aquele furinho no dedo, várias vezes ao dia. Funciona, mas é mais impreciso, mais doloroso e não enxerga o que acontece à noite ou durante o esforço físico – exatamente o momento em que a glicose de um atleta como Zverev pode variar mais. Quem quer o monitor contínuo pelo SUS, hoje, muitas vezes só consegue se entrar com pedido na Justiça.

Ou seja, a tecnologia que ajudou Zverev a vencer com segurança já existe, é reconhecida, e está disponível para quem pode pagar – ou para quem tem condições de entrar com uma ação judicial. Para a maior parte dos brasileiros com diabetes tipo 1, o caminho ainda é a fita e o dedo furado.

Não estou dizendo que o SUS deveria bancar qualquer tecnologia, sem critério. Custo importa, e sustentabilidade do sistema também é saúde pública. Mas vale fazer esse registro, mostrando que a diferença entre uma final de um Grand Slam e a rotina de uma criança com diabetes tipo 1 em um posto de saúde não é a gravidade da doença. É o preço do instrumento que permite enxergar o quadro em tempo real.

Por trás da imagem viral do atleta celebrando uma conquista tão importante, e inclusive se emocionando ao falar da mãe que nunca o deixou desistir de nada por conta do diabetes, trago um lembrete de que equidade em saúde não é discurso: é o sensor que falta no braço de quem não pode comprar um.

Esta notícia foi lida 159 vezes!

Autor redacao

Deixe uma Resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *

*


Popups Powered By : XYZScripts.com