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O que é mais explosivo para Lula: a guerra do Irã ou o Lulinha?

Eliana Cantanhede – Estadão

 

guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã se espalha pelo Oriente Médio, impacta as bolsas ao redor do mundo, chacoalha o preço do petróleo e, por óbvio, é um problemaço para o Brasil e para o presidente de plantão, Luiz Inácio Lula da Silva. A principal preocupação de Lula no ano eleitoral, porém, não é essa. E qual seria?

Mais explosivo que a guerra para a campanha de Lula é o cerco do STF e do Congresso às peraltices do já habitualmente peralta Lulinha, que admitiu a interlocutores, como registrou o Estadão, que foi o Careca do INSS quem pagou passagem e hotel para ele em Lisboa. A isso se soma o depoimento de um dos envolvidos de que Lulinha recebia R$ 300 mil de mesada desse cidadão, pivô da roubalheira de aposentados e pensionistas.

São quatro os riscos para Lula: a beligerância do Congresso, a expectativa zero de que a Polícia Federal passe pano, a expectativa menos 10 de que o ministro André Mendonça “quebre o galho” do governo e, no final das contas, uma onda crescente de revelações contra o seu filho.

Flávio e Jair Bolsonaro têm um passivo pesado, de golpes, rachadinhas, profusão de imóveis, mas Lula tem, além de dívidas do passado, dúvidas no presente. Segundo o presidente, se Lulinha errou, ele que pague pelo erro. Nesse caso, porém, não é só o filho que paga, é o papai candidato também, com suspeitas que remetem aos piores momentos de Lula na política, agora num ambiente internacional perverso.

Além de ameaçar a economia, o novo voluntarismo de Trump, sem consultar a ONU e o próprio Congresso americano, é mais um obstáculo na aproximação de Lula e o presidente dos EUA e pode, inclusive, adiar o encontro entre os dois, previsto para este março, em Washington. Não só porque Trump está ocupado com a guerra, mas porque o Brasil condenou os bombardeios ao Irã, como também se opôs à invasão da Venezuela e vem criticando sucessivas posições trumpistas.

Para a oposição bolsonarista, Lula deveria fazer tudo o que seu mestre Trump mandasse e aplaudir a política de bombas e caneladas contra Venezuela, Irã, Cuba… O Brasil, entretanto, leva a diplomacia a sério, respeita a ONU e as leis internacionais e Lula acertou ao não se omitir em troca da boa vontade de Trump. Acertou, inclusive, ao “sair à francesa” do tal “Conselho da Paz”.

Lula não se desgastou dizendo sim ou não, apenas não compareceu e deixou para lá o conselho que vinha classificando − aliás, devidamente − como uma tentativa de Trump de criar uma ONU paralela para chamar de sua ou de se tornar “dono da ONU”.

Logo depois de sua primeira reunião, o conselho “da Paz de Gaza” virou conselho “da guerra de todo o Oriente Médio”, com o ataque ao Irã, que responde disparando contra países ao redor que abrigam bases americanas. A grande dúvida é sobre o real poderio bélico iraniano e, portanto, sobre a duração da guerra. Quanto mais durarem a guerra e as investigações de Lulinha, pior para a reeleição.

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