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Candidatura de Flávio é a seleção da estreia: desacreditada e desarticulada

Fabiano Lana

Estadão

EstadA campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para a presidência está mais perdida do que a equipe de Carlo Ancelotti no primeiro tempo contra Marrocos. Desde o escândalo envolvendo o pedido de recursos milionários, pelo parlamentar, ao escroque Daniel Vorcaro, entrou em uma crise espiral de credibilidade que afastou aqueles eleitores decisivos, de centro, que irão desempatar as eleições, tornando um dos times vencedor. Não se sabe se para sempre. Talvez seja.

Numa eleição competitiva, os irmãos do candidato, parceiros de ataque, parecem jogar contra. Distribuem pontapés em potenciais parceiros. Parecem ser incapazes de acenar para fora da torcida bolsonarista. O filho 03 de Jair Bolsonaro, Eduardo, por exemplo, agora age por uma vice radical, Júlia Zanatta (PL-SC), parlamentar que não irá agregar um voto à candidatura do irmão. Parecem ser incapazes de entender que a vitória de 2018 só ocorreu porque conquistaram os centristas – gente que parecem desprezar mais do que os petistas. Incapazes de perceber, ao olhar para o lado, no Peru, que cada voto novo é voto essencial, não importa os valores do eleitor.

Alianças políticas que garantiam palanques e tempo de televisão pelo Brasil afora entraram em modo de aguardo. Presidentes de partidos deixam vazar na imprensa que o melhor seria não apoiar ninguém. Forças auxiliares da candidatura de Flávio, as chapas de direita para o Senado, se desentendem. Uma das consequências das brigas é tornar viáveis vitórias de senadores de centro ou mesmo de esquerda em vários Estados, como Rio de Janeiro, São Paulo e Rio de Janeiro. Flávio não sabe como recuperar o magro placar que obtinha até há algumas semanas, quando, ao invés de apresentar planos de jogo, já partia para as dancinhas de comemoração frente às plateias. Precipitou-se?

A bandeira verde-amarela do patriotismo, que era dele, está prestes a perder por causa das ações do “aliado”, o presidente americano Donald Trump (que, aliás, até agora tem menosprezado a Copa). Bajulam um líder que não pensa duas vezes antes de tomar medidas contra o Brasil, como a proposta de sobretaxar nossos produtos em 35%. Acrescente-se que a bandeira da conduta limpa, de quem combate a corrupção, foi deixada escondida em casa.

Do outro lado, a equipe petista não está bem. Também está desacreditada pela torcida. O governo mal consegue alcançar o apoio da metade da população. Ainda não tem um esquadrão consolidado. Mas conta com um atacante oportunista. Lula esconde o escudo vermelho de seu plantel, tenta pegar de volta a camisa amarela, e diz jogar para todo o Brasil, enquanto acusa seu oponente de atuar pelo adversário, no caso, os Estados Unidos de Trump.

Temos outros times nesta disputa pela presidência, mas ainda mal conseguiram entrar em campo. As torcidas praticamente os ignoram, por mais que apresentem bons esquemas táticos. Zema apela para jogadas agressivas. Caiado, num traçado conservador. Renan Santos aposta em táticas disruptivas e sonha em alcançar um novo patamar. Há ceticismo de que consigam se tornar favoritos na competição em curso.

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