
O Brasil estava prestes a entrar em campo ontem quando Michelle Bolsonaro (PL-DF) escancarou nas redes sociais o atrito que vive com seu enteado, o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Três horas depois, mesmo em plena Copa, os dois vídeos publicados pela ex-primeira-dama já tinham quase cinco milhões de visualizações.
Michelle disse que foi humilhada e falou em “uma punhalada” de Flávio. Não deixou dúvidas de que a relação entre eles se dilacerou de vez. O pano de fundo mencionado foi a briga, que se arrasta desde dezembro, em razão das articulações para a composição do palanque no Ceará.
Mas, como a própria Michelle ressaltou no vídeo, ela sabe mais de política do que pensam. “Eles me tratam como se fosse idiota. Como se fosse alguém que chegou ontem. Eu não sou. Eu sei mais do que eles pensam”, desabafou. Portanto, o movimento da madrasta de Flávio é calculado e sustentado por um cenário muito mais amplo.
Desde que o filho “Zero Um” do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ) se enrolou nas teias do escândalo do Master, por ter pedido dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, os entusiastas de uma candidatura presidencial de Michelle se sentiram revigorados. Eles viram Flávio derreter nas pesquisas e perceberam que não houve retomada, mesmo quando a operação atingiu Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do governo, e respingou no presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Atualmente, a pré-campanha de Flávio vive dias de tensão. Nos bastidores do Partido Liberal, há um clima de abatimento, medo dos desdobramentos da investigação e a leitura de que, se surgirem novas denúncias contra ele, sua jornada rumo ao Planalto pode ter de ser interrompida antes mesmo de começar formalmente.
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