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Gol de Martinelli emociona e mostra que seleção pode ‘pegar no tranco’ na Copa do Mundo

Mauro Beting – Estadão

 

Não lembro de 12 minutos com cinco chances de gol como o Brasil voltou para o nervosíssimo segundo tempo contra o melhor Japão em Copas. E não lembro de ter celebrado tanto um gol de vitória como os justíssimos 2 a 1 nos 22,5 graus da arena coberta de Houston.

Eu lembro: o primeiro do Fenômeno na decisão contra a Alemanha, em 2002. O último que comemorei como se valesse o mundo que valeu.

Desde então, não sofria e não vibrava tanto. Também porque estou no estádio na posição do SBT/N Sports ao lado de Pato e de Galvão Bueno, que anima o brasileiro até quando “virou passeio”. Quer dizer… Não tem como fazer alguns milagres.

Mas muito porque o Brasil fez como e por onde. A Seleção, como o brasileiro, a-do-ra pegar no tranco. Não tem jeito. “Esquece”, diria o Cazé. Tem que sofrer. Quando deve e até quando não é necessário.

O melhor Japão em Copas desde a primeira, em 1998, veio trancado como o esperado. O 3-4-2-1 com a bola foi muito mais um 5-4-1. Os ofensivos alas Doan e Nakamura mais marcaram Rayan e Vini do que atacaram como bem sabem. E só chegaram uma vez. Na saída errada de Danilo que Casemiro não conseguiu interceptar, Sano avançou sem ser acossado, e o tiro desviado matou Alisson, aos 28.

Antes disso, apenas dois lances perigosos brasileiros. Pouco. Ancelotti armou a equipe numa saída a três com Danilo com os dois zagueiros. Douglas Santos foi espetado à esquerda, com Rayan do outro lado, Vini por dentro com Matheus Cunha, e Paquetá e Bruno liberados para chegarem à frente.

Não rolou. Paquetá teve que sair por lesão. E também por necessidade tática e de placar. A escolha por Endrick foi ousada, mas necessária. E dentro do plano inicial de Carletto: um 4-2-4 abusado.

Endrick e Matheus centralizados, Vini aberto pela esquerda, e Rayan tímido do outro lado. Mas mais amuados vieram os japoneses, amassados nos primeiros 12 ótimos minhtos brasileiros. Toda a intensidade e qualidade que, aliada a mais uma queda física do rival, levaram ao empate aos 10. E a virada que seria merecida já na primeira parte do segundo tempo.

O Japão só chegaria mais uma vez. Moryasu trocou os alas ofensivos por laterais de marcação. Começou a jogar pelo empate ate ser castigado por mais uma bola recuperada no ataque (desta vez por Rayan), mais uma assistência de Bruno Guimarães, e o gol de Martinelli. Outra escolha feliz de Ancelotti, que trocou Matheus pelo ponta aos 19. Mas não para o escalar aberto, voltando a centralizar Vini. Carletto manteve na ponta o craque do Madrid (para fazer um dos mais lindos lances do Mundial) e centralizou Martinelli para fazer o gol da virada emocionante.

Em mais um jogo definido além do tempo na mais legal Copa que já vi. Também por isso.

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