O presidente Luiz Inácio Lula da Silva extrapolou seus 15 minutos na plenária da Assembleia-Geral da ONU para fazer campanha eleitoral e enviou recados ao americano, Donald Trump. Como havia sido adiantado, o presidente tratou de soberania e riscos à democracia nas eleições brasileiras.
Na América Latina e Caribe, a proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo é inescapável. Sobretudo num contexto de recrudescimento de tentações hegemônicas. O Brasil não cabe no quintal de ninguém.
Lula em sua 10ª participação na Assembleia-Geral da ONU
Como tradição, o brasileiro abriu os discursos de líderes do Debate Geral e foi seguido por Donald Trump. Havia a expectativa de que os dois pudessem se esbarrar nos corredores da organização novamente, como ocorreu ano passado. Mas, segundo fontes do Palácio do Planalto, não houve este encontro de bastidor.
A democracia está novamente em xeque. Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais. A divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais por recursos estratégicos constituem gestos anacrônicos”, continuou o presidente, citando Venezuela, Nicarágua e Cuba.
“O povo venezuelano merece definir o próprio destino. A Nicarágua não vai resolver os seus problemas impedindo a oposição de disputar eleições. A crise no Haiti continua a testar os limites da indiferença da comunidade internacional. Em Cuba, o mundo assiste estarrecido à punição coletiva imposta a 10 milhões de pessoas por um embargo econômico e um cerco energético ilegais”.
Em recado aos Estados Unidos, que recentemente afirmaram que o Brasil não faz o suficiente para combater as facções criminosas. “O Brasil não subestima o desafio representado pelo crime organizado. Estamos preparados para enfrentar as organizações criminosas que aterrorizam nossas comunidades.”
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