Carolina Aragaki
A inadimplência empresarial atingiu um novo recorde no Brasil em abril de 2026, com 9 milhões de CNPJs negativados. De acordo com dados da Serasa Experian, o número de empresas inadimplentes aumentou em 1,5 milhão em relação ao mesmo período do ano anterior, alcançando o maior patamar da série histórica iniciada em janeiro de 2016. A expectativa é que os números permaneçam em níveis elevados no curto prazo.
O resultado mostra um ambiente ainda desafiador para os negócios no País. Apesar do início do ciclo de afrouxamento monetário, os juros seguem em patamar elevado, encarecendo o crédito e dificultando o acesso ao capital de giro, especialmente para pequenas e médias empresas, avalia a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack.
“O ambiente de juros altos, aliado à desaceleração da atividade econômica, mesmo que mais moderada do que se esperava inicialmente, pressiona o faturamento das empresas e reduz a capacidade de recomposição de caixa”, afirma a executiva. Ela destaca que a inadimplência tem potencial de registrar novos recordes ao longo de 2026. A base de dados da Serasa Experian mostra que o índice de calote tem batido sucessivos recordes desde janeiro.
O total de dívidas negativadas também registrou novo pico, somando R$ 220,9 bilhões em abril. Em média, cada empresa inadimplente tem 7,1 contas sem pagar, com dívida média de R$ 24.665,91 por CNPJ e ticket médio de R$ 3.468,99.
Atualmente, a taxa básica de juros da economia é de 14,5% ao ano, isso depois de duas reduções consecutivas de 0,25 ponto. O juro alto faz o custo da dívida das empresas aumentar e encarecer boa parte dos planos de investimentos. Um levantamento da consultoria especializada em reestruturação de dívida RK Partners mostrou que entre as companhias abertas brasileiras, por exemplo, 24% já não conseguem gerar caixa suficiente para pagar os juros de suas dívidas.
O estudo levou em conta a situação das 282 empresas com ações listadas na Bolsa de Valores. Os estragos dos juros elevados no balanço das companhias também se refletem em outros indicadores: 23% das empresas têm alavancagem entre três vezes e seis vezes a relação dívida líquida/ebitda anual e 24% tem alavancagem acima de seis vezes.
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