Estadão
A seleção brasileira deu adeus ao sonho do hexa no domingo ao perder para a Noruega pelas oitavas de final da Copa do Mundo. A pior campanha em 36 anos deve gerar consequências, que envolvem não apenas a equipe nacional como também a estrutura da Confederação Brasileira de Futebol (CBF)?
A redação do Estadão debate o tema e levanta quais os caminhos que devem ser seguidos pela seleção brasileira a fim de que em 2030 o jejum de título mundiais acabe finalmente. Leia a seguir a opinião de membros da equipe de Esportes:
Gustavo Faldon, editor de Esportes do Estadão
Reformular a formação de jogadores brasileiros. Há anos, décadas, temos posições deficientes, como as laterais, meias de ligação e centroavante. Tais posições têm expoentes de classe mundial em outras seleções, principalmente o “camisa 10”, que estava presente nos rivais em cinco das últimas seis eliminações do Brasil em Copas. Paramos de formar 10 e 9 e formamos pontas em demasia e volantes, enquanto países pequenos e de menor expressão futebolística conseguem ainda produzir esses jogadores, que têm decidido os Mundiais.
Gustavo Faldon, editor de Esportes do Estadão
Reformular a formação de jogadores brasileiros. Há anos, décadas, temos posições deficientes, como as laterais, meias de ligação e centroavante. Tais posições têm expoentes de classe mundial em outras seleções, principalmente o “camisa 10”, que estava presente nos rivais em cinco das últimas seis eliminações do Brasil em Copas. Paramos de formar 10 e 9 e formamos pontas em demasia e volantes, enquanto países pequenos e de menor expressão futebolística conseguem ainda produzir esses jogadores, que têm decidido os Mundiais.
Marcos Antomil, editor assistente de Esportes do Estadão
Essa foi a primeira Copa que vi em que tinha certeza que o Brasil não ganharia. A seleção deveria aumentar a identificação com o País. O futebol brasileiro vive um momento de domínio continental e deveria surfar essa onda também com a seleção. É a hora certa para termos mais atletas que jogam por aqui. Os brasileiros precisam conhecer quem joga pela seleção. Também é necessário abrir mão de jogadores que não estão habituados a vencer. Mais vale um jogador campeão no Brasil do que um atleta que luta contra o rebaixamento na Europa. Outro desafio é medir forças mais vezes com seleções europeias, apesar dos empecilhos do calendário.
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Marcel Rizzo, colunista do Estadão
A seleção brasileira precisa de uma renovação dentro e fora de campo. Carlo Ancelotti vai ficar, mas são necessárias mudanças na direção da seleção. Essa direção precisa ter carta branca para, por exemplo, barrar convocações que não sejam do interesse da comissão técnica. Dentro de campo, é preciso desapegar da geração que não vence e apostar nos jovens, comandados por Vinícius Júnior, que acredito ainda poder render bastante com a camisa da seleção brasileira.
Ricardo Magatti, repórter do Estadão
Em síntese: fazer todo o oposto do que foi feito no problemático e acidentado ciclo que terminou com novo fiasco na Copa do Mundo de 2026.
É preciso livrar a seleção de atletas envelhecidos e que se acostumaram a fracassar com a camisa verde e amarela e dar a jovens jogadores, como Rayan, a chance de terem sequência para alcançarem protagonismo.
É esperado que Ancelotti, com todo suporte e tempo que tem para trabalhar, faça, desta vez, uma profunda renovação no grupo. Sem Casemiro, sem Neymar, sem zagueiro improvisado de lateral e que não marca nem ataca.
Que o elenco a ser formado tenha a humildade de reconhecer que o Brasil vive das glórias do passado e que falhou nas repetidas tentativas de copiar o futebol europeu. Retomar a genuína identidade do futebol brasileiro é o caminho.
Glauco de Pierri, editor no Estadão
Para a próxima Copa do Mundo, a seleção brasileira precisa resgatar o protagonismo dentro de campo. Essa foi a pior seleção que vi em Copas. Se fora de campo a CBF sempre foi uma bagunça e nada indica que algo mudará, no gramado conseguíamos nos impor contra qualquer adversário com jogadores criativos e decisivos. Com o fim dessa geração de Neymar, Marquinhos, Casemiro e outros, haverá espaço para jovens que terão um ciclo inteiro para mostrar trabalho e formar uma equipe coesa para o próximo Mundial.
Gonçalo Junior, repórter do Estadão
A eliminação na Copa de 2026 deveria antecipar a renovação completa da seleção. O próximo ciclo precisa começar com uma equipe permanentemente rejuvenescida. Convocação tem de ser consequência de desempenho e intensidade. O currículo (serviços prestados) deve ficar em segundo plano na hora da convocação. E a seleção principal precisa conversar mais com as categorias de base, com um calendário fixo de integração que prepare os talentos antes da estreia no time de cima. Não é uma fórmula mágica, mas pode ser uma ruptura necessária.
Wilson Baldini Jr., repórter do Estadão Conteúdo
O futebol brasileiro precisa voltar a ser brasileiro. Não se pode querer copiar o que se faz na Europa. O nosso forte sempre foi o drible. É a melhor forma para ‘quebrar linhas’. A Europa leva nossos melhores jogadores e os coloca para atuar dentro dos padrões dela, retirando de nossos jogadores o que eles têm de melhor. O Brasil deixou de surpreender os europeus nos Mundiais. Garrincha e Jairzinho enlouqueceram os zagueiros ‘cadeirudos’ das seleções europeias. Fomos ‘hexa eliminados’ antes de sermos hexacampeões. E se continuar assim, o hepta virá em 2030.
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