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EUA e Irã podem assinar acordo de paz

Por Steven Erlanger (The New York Times)

Os Estados Unidos e Israel entraram em guerra contra o Irã buscando uma mudança de regime. Quase quatro meses depois, houve mudança de regime, mas não do tipo que eles desejavam. A República Islâmica 3.0, como alguns a chamam, é agora menos uma teocracia e mais uma junta militar dominada pela poderosa Guarda Revolucionária.

Washington e Jerusalém também foram à guerra para erradicar o programa nuclear iraniano e eliminar a ameaça que ele representa. Até agora, esse conflito produziu apenas um Irã ferido, mais disposto a correr riscos e mais propenso a persistir em seu objetivo de avançar seu programa nuclear.

Estados Unidos e Irã trocaram ataques na semana passada enquanto tentavam encontrar um caminho para encerrar a guerra. Até sexta-feira, 12, apesar de acusações mútuas de duplicidade, autoridades em Teerã e Washington afirmaram estar se aproximando de um acordo inicial, conhecido como memorando de entendimento. No sábado, o presidente Donald Trump anunciou que a assinatura ocorreria no domingo, embora o Ministério das Relações Exteriores do Irã tenha advertido publicamente que o cronograma poderia ser mais lento.

Mesmo um acordo sobre o memorando deixará Teerã com certa margem de manobra enquanto os dois lados se envolvem em negociações sérias sobre o programa nuclear iraniano e seu futuro papel no Estreito de Ormuz. Muitos detalhes seriam deixados para um período de 60 dias de negociações, que pode ou não ter sucesso.

o longo desta guerra, o Irã passou de um país que parecia fraco e indefeso para um regime que não apenas sobreviveu, mas também preservou importantes capacidades militares e nucleares. O amplo aparato de segurança iraniano parece firmemente no controle de todos os aspectos do governo, da sociedade e da política externa.

O Irã é agora liderado por “uma geração mais jovem e mais ousada no poder”, afirmou Sanam Vakil, diretora do programa para Oriente Médio e Norte da África da Chatham House, no que Aaron David Miller, ex-diplomata americano atualmente na Carnegie Endowment, chamou de “uma transição do poder divino para o poder bruto”.

Esses novos líderes acreditam que podem sobreviver até mesmo a uma grande retomada dos combates sem alterar significativamente suas posições de negociação ou seus objetivos regionais mais amplos. Esses objetivos incluem restaurar seu poder de dissuasão para que não possam ser atacados novamente, como ocorreu no fim de fevereiro.

Eles também querem manter o direito de enriquecer urânio, mesmo em baixos níveis após um período de suspensão, e conservarão o conhecimento científico e os equipamentos que lhes permitiriam, caso escolhessem fazê-lo, voltar a se tornar um Estado no limiar nuclear — um país que possui todos os elementos necessários para uma arma nuclear sem efetivamente montá-la.

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