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Afinal, Epstein foi espião Russo

Em novembro de 2025, publiquei nessa coluna o artigo “Como os crimes de Epstein podem ser bem piores do que você imagina”, onde analisei como o predador sexual mais conhecido do século 21 não apenas sempre esteve cercado de russos, como movimentou muito dinheiro, durante muito tempo, em bancos russos.

Desde que novos documentos desse caso foram publicados nos últimos dias, cresceram as suspeitas de que Jeffrey Epstein pudesse ter trabalhado como espião para o Kremlin.

Não é difícil desconfiar dos russos. Moscou tem um longo histórico de campanhas de influência e desinformação contra o Ocidente – onde viviam os principais alvos de Epstein. E desinformar, em matéria de inteligência, não significa necessariamente mentir, mas manipular fatos verídicos e saturar o debate público até que a verdade perca relevância.

Moscou é tão importante para a história da desinformação que a própria origem da palavra – dezinformatsiya em russo – é russa. Foi Joseph Stalin, nos anos 1920, quem cunhou o termo como o nome de um departamento de propaganda negra da inteligência soviética: o Escritório Especial de Desinformação. O objetivo era “desmantelar os planos e esquemas contrarrevolucionários do inimigo”.

Para os líderes soviéticos, o uso da desinformação sempre foi um dos principais instrumentos contra os seus adversários.

Em 1947, Moscou criou uma unidade de desinformação chamada K1, sob a direção do Ministério da Segurança do Estado, “para desmascarar a atividade antissoviética em círculos estrangeiros, influenciar a opinião pública de outros países, e comprometer os funcionários e figuras públicas antissoviéticas nos governos estrangeiros”.

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A K1 infiltrava agentes em organizações estrangeiras, governos, empresas e veículos de imprensa, para obter informações e influenciar a opinião pública. Desde os primeiros dias, o objetivo era construir um clima de caos e incerteza que minasse a confiança dos ocidentais sobre o próprio Ocidente.

Quando o KGB foi criado em 1954, as funções da K1 foram integradas e expandidas. O Departamento D, fundado em 1959, virou a unidade do KGB dedicada a operações de desinformação e propaganda (o “D” vinha de dezinformatsiya). Cinco anos após a sua fundação, só esse departamento realizava entre 350 a 400 operações por ano.

Desinformação é um componente de uma estratégia mais ampla conhecida como “medidas ativas”. Esse era o nome que os soviéticos davam às operações de inteligência e desinformação que buscavam influenciar a sociedade e os eventos políticos. Foram os soviéticos que inventaram o termo na virada da década de 1950.

É nesse contexto que surge o kompromat – abreviação de “material comprometedor” em russo. O termo aparece no vocabulário da polícia secreta soviética ainda nos anos 1930, quando Stalin se deu conta que informação íntima podia ser tão eficiente quanto força bruta.

Eventualmente, no entanto, esse material de chantagem era exposto. O próprio Vladimir Putin ascendeu dessa maneira. No fim dos anos 1990, quando Putin ainda não era um nome conhecido do grande público, a televisão estatal russa exibiu um vídeo que chocou o país, com o então procurador-geral russo, Yuri Skuratov, numa situação sexual constrangedora ao lado de duas mulheres.

A cena, filmada clandestinamente, foi um escândalo. Skuratov investigava episódios de corrupção no círculo do presidente Yeltsin, e assim que o vídeo foi ao ar, a sua legitimidade como procurador-geral evaporou. Ele foi afastado do cargo e as investigações acabaram arquivadas.

Ninguém assumiu a autoria da filmagem. Oficialmente, o vídeo apenas apareceu. Mas nesse momento, Putin era o chefe do FSB – o herdeiro direto do KGB –, no topo da inteligência russa. Era ele o principal responsável por uma máquina treinada precisamente para esse tipo de operação. E foi Putin quem surgiu em público para comentar o vídeo, assumindo que especialistas do serviço de inteligência haviam confirmado a autenticidade da gravação.

As duas mulheres foram descritas pela imprensa como prostitutas e o episódio tratado, por muita gente, como uma armadilha sexual. Cinco meses depois dele, Putin acabou escolhido, por Yeltsin, para o cargo de primeiro-ministro. Em um ano, ele seria eleito presidente da Rússia pela primeira vez, apoiado pelo governo. Yeltsin tinha uma dívida com ele.

Plantar mulheres para coletar kompromat também é uma prática antiga russa. Há registros de que a segurança soviética recorria a essa estratégia desde os primeiros anos do contato diplomático com países estrangeiros. Nos Estados Unidos, ainda no período pré-Segunda Guerra, a inteligência soviética providenciava namoradas para os fuzileiros responsáveis pela guarda da embaixada em Moscou.

Na inteligência, isso é chamado de honeytrap – literalmente, armadilha de mel.

Epstein, de fato, parecia estar cercado de “armadilhas” russas. Num email, ele diz que Bill Gates contraiu uma doença sexualmente transmissível com “garotas russas”. Em outro email, diz ter tentado marcar um encontro entre o então príncipe Andrew e uma jovem russa.

Numa mensagem escrita em 2010 para uma pessoa cujo nome foi omitido pela investigação, Epstein diz que no dia seguinte irá “organizar um jantar para novas garotas russas… vejo você às 10.”

Dois anos depois, ele recebeu um e-mail de um remetente não identificado que dizia: “Tenho duas garotas russas para você conhecer, uma de 21 anos e outra de 24. Uma magra, a outra curvilínea e super fofa.”

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Autor redacao

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