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The Economist: As tarifas de Donald Trump prejudicaram as fábricas que deveriam proteger

A contração da indústria americana entra em seu terceiro ano e as empresas continuam a demitir, em contraste com a promessa de que empregos e fábricas voltariam ‘com força total’ aos EUA

No ano passado, as justificativas do governo Trump para suas tarifas mudaram quase tanto quanto as próprias taxas. O presidente Donald Trump e sua equipe defenderam suas taxas aduaneiras de diversas formas: como uma ferramenta de negociação provisória, uma arma contra a China e um plano para remodelar o comércio e as finanças globais. Mas, mesmo com a mudança de argumentos, um permaneceu central: a noção de que as tarifas inspirariam um renascimento da indústria manufatureira americana. Ao anunciar sua primeira leva de tarifas globais, Trump prometeu: “Empregos e fábricas voltarão com força total ao nosso país”.

A indústria americana certamente está em declínio. A produção total estagnou por quase 20 anos, mesmo com o crescimento exponencial do setor de serviços — um fato que inspirou filmes vencedores do Oscar e obras literárias que definiram épocas, além de irritar pessoas de todo o espectro político.

Quando Trump assumiu o cargo, em janeiro passado, os Estados Unidos já estavam em uma recessão de dois anos no setor manufatureiro, de acordo com relatórios de vendas. Isso, prometeu o presidente, mudaria. A lógica era simples: “Se você quer que sua alíquota de tarifa seja zero”, disse Trump, “fabrique seu produto aqui mesmo, nos Estados Unidos.”

Quase um ano depois, porém, a revitalização da indústria manufatureira promovida por Trump ainda não apareceu. A contração do setor entra agora em seu terceiro ano, e as fábricas continuam a demitir; o emprego caiu 0,6% no ano até novembro. E não se trata apenas de as ações de Trump não estarem conseguindo reanimar a indústria manufatureira americana. Nos bastidores, há sinais de que elas a estão prejudicando ativamente.

Parte do problema são as altas taxas de juros. A indústria americana entrou em recessão no início de 2023, logo após o Federal Reserve (o Fed, equivalente ao Banco Central americano) elevar drasticamente as taxas para combater a inflação.

O setor manufatureiro, com equipamentos caros e frequentemente financiados por dívida, é especialmente sensível a essas mudanças. Trump está ansioso por uma política monetária mais frouxa; as altas taxas de juros americanas refletem, em grande parte, um crescimento econômico robusto e vastos gastos com inteligência artificial.

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