
De nada adiantou a canetada intervencionista do ministro Kassio Nunes Marques para proibir a divulgação da pesquisa AtlasIntel, que apontou queda nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro após o vazamento do áudio em que ele pedia dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro. O cenário de pesquisas, tanto públicas como os trackings internos, aponta um derretimento persistente da candidatura do filho 01 de Jair Bolsonaro.
Nos bastidores do Partido Liberal (PL), esse diagnóstico gera um clima de abatimento e divide a legenda em duas alas. O grupo dos otimistas aposta todas as fichas no hiato que começa neste sábado, dia 13, com o início da Copa do Mundo. A tese é de que o País vai esquecer um pouco o assunto e se voltar apenas para o futebol, abrindo margem para que Flávio Bolsonaro recupere fôlego.
Já a ala mais pessimista — ou, diria, mais pé no chão da sigla — começa a avaliar internamente que o senador, se continuar num ritmo de ladeira abaixo nas intenções de voto, pode inclusive prejudicar e inviabilizar a jornada de outros políticos do PL.
Ou seja, Flávio se tornou um problema para a legenda comandada por Valdemar Costa Neto, que tem como seu principal objetivo ampliar o número de deputados federais. Afinal, é com o tamanho da bancada que eles garantem tempo de TV, recursos dos fundos eleitoral e partidário e, consequentemente, mais força para barganhas políticas.
Entre agentes da Faria Lima que já acenavam uma preferência pela formulação econômica da campanha de Flávio Bolsonaro, sobretudo diante da expectativa de ver o senador Rogério Marinho e Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, à frente do time, agora o tom crescente é de desconfiança.
Embora anseie por um ajuste fiscal urgente, o que obviamente só parece ter espaço para ser feito se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva for trocado, o setor não está disposto a tolerar os contornos éticos que o caso Master revelou em relação a Flávio Bolsonaro.
Diante desse impasse, a avaliação é pragmática: qualquer nome da direita que consiga chegar ao segundo turno com uma agenda econômica sólida, capaz de contrapor os atuais estouros de contas públicas e desmandos fiscais da gestão petista, herdará o apoio em peso do segmento.
Decepção tornou-se uma palavra repetida entre grandes nomes de setores econômicos ao falarem dos Bolsonaros. Uma das observações feitas nos bastidores resume o sentimento de forma polida, mas ácida: a grande diferença de Flávio com o pai é que ele não fala palavrão.
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