A Justiça negou o pedido de prisão preventiva do padre afastado da Paróquia Senhor Bom Jesus do Bonfim, no distrito de Bonfim Paulista, em Ribeirão Preto (SP), investigado por crimes sexuais contra coroinhas.
A decisão acolheu integralmente a manifestação do Ministério Público, que havia se posicionado contra a prisão, segundo o promotor de Justiça José Carlos Gallucci Thomé.
O pedido de prisão havia sido feito pela Polícia Civil em 13 de agosto, quando a delegada responsável concluiu o inquérito e apontou que o religioso teria cometido os crimes de estupro de vulnerável e importunação sexual.
Segundo o promotor, o Ministério Público opinou pelo indeferimento da representação da autoridade policial e reiterou posicionamento que já havia apresentado antes nos autos. O promotor também pediu o retorno do inquérito à delegacia para a juntada de laudos periciais que ainda faltam, relativos a um computador do investigado.
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Padre Mário Reis da Silveira é alvo de denúncia por crimes sexuais em Ribeirão Preto (SP) — Foto: Reprodução/EPTV
Ainda de acordo com o promotor, as medidas cautelares protetivas já deferidas pela Justiça são consideradas suficientes, neste momento, para resguardar a integridade física e psíquica das vítimas e das testemunhas.
Em nota divulgada nesta segunda-feira (17), a defesa afirmou que o Judiciário indeferiu a prisão preventiva e determinou o retorno dos autos à delegacia de origem para o cumprimento das diligências pendentes.
O padre está afastado das funções na paróquia desde março e nega as acusações. O caso corre em segredo de justiça.
O que muda na investigação
O inquérito havia sido concluído e enviado à Justiça com o pedido de prisão. Com a decisão, os autos voltam à Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) para que sejam anexados os laudos periciais que faltam.
O material pendente é o resultado da análise de dispositivos de informática apreendidos com o investigado. Em julho, a DDM já havia recebido da perícia uma nova leva de arquivos extraídos de computadores do padre. Os equipamentos foram apreendidos em Minas Gerais, onde ele está.
Depois de complementado, o inquérito deve voltar ao Ministério Público, a quem cabe decidir se oferece ou não denúncia à Justiça. Não há prazo definido para a manifestação.
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Padre Mário Reis da Silveira atuava na Paróquia Senhor Bom Jesus do Bonfim, em Ribeirão Preto (SP). — Foto: Reprodução/EPTV
O que diz a defesa do padre
O advogado Pedro Brichi Seixas dos Reis, que representa Mário Reis da Silveira, afirmou em nota que o Ministério Público se manifestou expressamente pelo indeferimento da prisão preventiva e apontou a existência de diligências pendentes na investigação.
A defesa diz que não vai comentar fatos específicos porque o procedimento corre em segredo de justiça e por respeito à intimidade dos envolvidos. Segundo o advogado, todos os pontos serão “oportunamente combatidos e esclarecidos nos autos”.
Na nota, a defesa reafirma que o investigado é presumidamente inocente, nos termos do artigo 5º, inciso LVII, da Constituição Federal, e diz confiar na condução da apuração pelas instituições competentes.
Quando a polícia concluiu o inquérito, em agosto, o mesmo advogado afirmou que o relatório final não constitui acusação formal nem juízo de culpa, e que se trata de peça produzida unilateralmente na fase investigativa, sem contraditório e sem ampla defesa.
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