Por Lavínia Kaucz (Broadcast) e Felipe de Paula
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kássio Nunes Marques, atendeu a um pedido dos advogados do Partido Liberal e determinou a suspensão da pesquisa da AtlasIntel que aponta queda de seis pontos porcentuais na intenção de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno contra o presidente
O levantamento foi divulgado em 19 de maio, dias após a revelação de um áudio em que Flávio pede recursos ao banqueiro do Master, Daniel Vorcaro, para financiar o filme “Dark Horse”.
Em comunicado à imprensa, a AtlasIntel afirmou que o áudio da conversa entre Flávio e o banqueiro foi exibido após o fim do questionário principal da pesquisa. Segundo o instituto, os entrevistados já haviam respondido às perguntas eleitorais e não podiam mais alterar as respostas quando foram direcionados a uma página separada para ouvir o material.
Nunes Marques entendeu que há “suspeitas de indução ao eleitor” nas perguntas formuladas pelo instituto. A decisão é liminar e será submetida ao referendo do plenário da Corte eleitoral na terça-feira, 9.
Na decisão de sete páginas, o ministro citou uma entrevista concedida pelo CEO do instituto de pesquisa, Andrei Roman, em 19 de maio à CNN, na qual ele afirma que o áudio de Flávio seria “muito problemático para a imagem” do pré-candidato e revelaria “fatos extremamente graves”, capazes de comprometer “a viabilidade dele neste ciclo eleitoral e a permanência dele na corrida”.
“O CEO da AtlasIntel (…) reconheceu o viés político do conteúdo submetido aos entrevistados e externou juízo valorativo acerca do potencial de desgaste eleitoral do pré-candidato mencionado na representação”, assegura Nunes Marques.
Nesta segunda-feira, 8, o CEO da AtlasIntel afirmou no X (antigo Twitter), sem citar diretamente a decisão de Nunes Marques, que “muitos tentaram atacar a reputação da AtlasIntel quando os resultados não convinham”.
“A reputação se constrói lentamente, a partir de um trabalho árduo. A realidade que se impõe hoje é que não existe uma empresa de pesquisa a nível global com a trajetória que a AtlasIntel construiu. Depois de cada ataque injusto, a AtlasIntel se consolidou mais e é justamente isso que vai continuar acontecendo”, afirmou Andrei Roman.
Recém-empossado na presidência do TSE, o minsitro Nunes Marques afirma que “embora os institutos de pesquisa disponham de autonomia técnica para definição da metodologia empregada nos levantamentos que realizam, tal prerrogativa não afasta o controle jurisdicional em hipóteses nas quais haja indícios de desvirtuamento da pesquisa”.
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