A Revolução Islâmica de 1979 derrubou a monarquia e instaurou a República Islâmica. Décadas depois, em meio à nova crise, o herdeiro do último xá reaparece dizendo estar pronto para voltar ao país.
Quase cinquenta anos depois da revolução dos aiatolás, o príncipe da antiga monarquia anunciou que se dispõe a liderar uma transição. Um cenário improvável, na opinião dos especialistas.
Entre a memória do regime do xá, a repressão da república islâmica e uma sociedade marcada por divisões e protestos, o país se vê diante da mesma encruzilhada de 1979.
Mal começaram os bombardeios neste sábado (28), e um homem, de postura solene, gravou uma mensagem em persa ao povo do Irã:
“A ajuda que o presidente dos estados unidos da américa prometeu ao bravo povo iraniano acaba de chegar”, disse Reza Pahlavi.
Reza Pahlavi é filho de Mohamed Reza Pahlevi, o último xá do Irã. Em persa, o xá é o rei dos reis.
“Eu espero estar ao seu lado o mais breve possível para que, juntos, possamos retomar o Irã e reconstruí-lo”.
O autointitulado príncipe do Irã, exilado aos 18 anos com o próprio pai, que havia sido deposto pela revolução, tem se apresentado como a salvação de um país em crise.
“Eles me convocaram. Eu vou voltar ao Irã e garantir uma transição estável”, apontou o Pahlavi.
Mas quem está querendo a volta da monarquia? O principal apoio vem de fora, dos iranianos que foram exilados com a família real.
“Essa comunidade da diáspora é uma grande apoiadora da família da dinastia Pahlavi. Já dentro do Irã, a situação é mais multifacetada. O apoio a ele já não é tão grande assim“, explica o historiador especialista em política internacional Filipe Figueiredo.
O analista Paulo Hilu diz que a monarquia teria apoio de alguns setores, como os comerciantes, e se favorece da falta de memória. A maior parte da população nasceu e cresceu depois da revolução que depôs o xá em 1979.
“Na verdade, o príncipe não é nenhuma alternativa, ele representa justamente esse descrédito geral das figuras políticas dentro do Irã. Tendo dito isso, ele voltar sobre bombas americanas israelenses e tanques americanos israelenses, obviamente, não vai garantir com ele nenhuma legitimidade”, comenta o coordenador do núcleo de estudos do Oriente Médio na Universidade Federal Fluminense (UFF).
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