MC Ryan e MC Poze do Rodo estão no centro de uma operação da Polícia Federal que investiga um suposto esquema bilionário de lavagem de dinheiro com base na exploração de rifas clandestinas. A ação, deflagrada na última quarta-feira (15), cumpriu mandados em oito estados e no Distrito Federal e resultou na prisão dos dois artistas: Ryan, em Bertioga, litoral de São Paulo; e Poze do Rodo, no Rio de Janeiro.
De acordo com a investigação, o dinheiro obtido nas rifas clandestinas e jogos ilegais era, segundo a PF, inserido no sistema financeiro com aparência de legalidade, misturando-se a receitas declaradas de shows, contratos musicais e publicidade digital. As apurações apontam que todo o funcionamento dependia de um sistema complexo de transações financeiras pulverizadas.
Um dos exemplos citados pelos investigadores indica que R$ 5 milhões eram transformados em quase 500 transferências de R$ 10 mil cada. Segundo a Polícia Federal, essa estratégia permitia camuflar valores ilegais em contas com alto volume de movimentação financeira: a engrenagem teria movimentado R$ 1,6 bilhão.
“Eles tinham um papel importante no esquema de lavagem de dinheiro. Eram eles que detinham as contas utilizadas para que o dinheiro obtido de maneira ilícita pudesse circular, pudesse se confundir com os recursos lícitos”, afirma Roberto Costa da Silva, delegado da PF em São Paulo.
O delegado explicou ainda que a visibilidade dos artistas ajudava a impulsionar o fluxo financeiro: “As redes sociais são utilizadas para captar seguidores e isso impulsiona o fluxo financeiro nas contas que eles detêm, permitindo que outros recursos de origem ilícita também ingressem e gerem essa confusão”, disse.
“Nunca é bom falar dos resultados das plataformas, tá ligado? Na época do Tigrinho tava bom mesmo, eu tava arregaçando”, disse MC Ryan ao contador Rodrigo Morgado, em áudio revelado pelo Fantástico.
Essa é uma história que tem origem em outra investigação, como mostrou a reportagem publicada pelo Fantástico em maio de 2025.
No centro da engrenagem, segundo os investigadores, estava o contador Rodrigo Morgado, responsável por estruturar empresas, intermediar pagamentos, orientar sobre proteção patrimonial e operar a conversão de recursos, inclusive em criptomoedas. Para a PF, ele fornecia suporte técnico para que o dinheiro circulasse sem levantar suspeitas.
“Eu tenho um cliente aqui que tem uma casa de aposta e queria saber quanto que tá pra vc divulgar a casa dele”, perguntou Morgado para Ryan.
“Já que é seu amigo, eu cobro R$ 300 [mil]. Mas se não for muito seu amigo, pode falar que é R$ 400 [mil]”, respondeu o artista.
Segundo a PF, MC Ryan recebia também milhões em criptomoedas. A investigação aponta que o elo entre São Paulo e Rio de Janeiro no esquema bilionário era um sócio do MC Poze do Rodo. Nesta fase da operação, a Polícia Federal apreendeu bens avaliados em aproximadamente R$ 20 milhões.
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