A carta publicada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado na eleição presidencial de 2026, não deve afetar o mercado brasileiro. Essa é a avaliação do economista Cleveland Prates, professor de economia da FGV-Law e de regulação da Fipe, e sócio-diretor da Microanalysis Consultoria Econômica.
“Essa carta é tão tosca que ninguém está levando a sério. Os problemas do Brasil são tão grandes que perder tempo com essa atitude é só gerar mais problemas. O mercado está olhando para isso como mais uma atitude excêntrica da família Bolsonaro”, afirma Prates. “Eu não perderia cinco minutos pensando sobre isso”, complementa.
Para o economista Renato Eliseu, a contestação do resultado das urnas, acompanhada da saída de Flávio do País por si só, não gera danos à economia nacional, mas introduz um componente de incerteza institucional e diplomática. “O mercado financeiro não reage apenas a indicadores econômicos, mas também à previsibilidade das instituições, à estabilidade política e à capacidade do Estado de assegurar o cumprimento das regras democráticas”, complementa.
A forte reação negativa da Bolsa após a reeleição de Lula evidenciou o peso das expectativas políticas sobre os ativos financeiros. Além das incertezas sobre a condução da política fiscal, o episódio ilustra como as perspectivas dos investidores sobre o ambiente institucional podem influenciar os preços. Na avaliação de Eliseu, porém, este não parece ser o caso.
“O risco está na possibilidade de que a contestação ultrapasse o campo retórico e produza conflitos diplomáticos ou medidas econômicas concretas”, explica. Segundo ele, a ameaça está na possibilidade de essa articulação com os Estados Unidos e com a Argentina se traduzir em pressões diplomáticas, restrições comerciais ou outras formas de retaliação econômica.
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), que teve o mandato cassado por tentativa de golpe após fugir para os EUA, por exemplo, apoiou a medida assinada por Donald Trump de impor uma taxação de 50% sobre o Brasil. Posteriormente, Eduardo publicou vídeo pedindo a Trump que punisse Moraes e outros políticos brasileiros com a Lei Magnitsky.
Na avaliação de Eliseu, porém, isso não significa que tais consequências sejam inevitáveis. “Quanto mais claras forem as garantias de respeito ao resultado eleitoral, à Constituição e à normalidade institucional, menor tende a ser a percepção de risco político”, afirma. “Inclusive, o isolamento de uma liderança que contesta o processo eleitoral pode reduzir sua capacidade de produzir instabilidade interna”, comenta.

Esta notícia foi lida 84 vezes!
ORC FM 94.9 Mhz Orlândia Rádio Clube
