Governador reeleito de São Paulo diz que é possível questionar o uso da máquina nas eleições por parte do governo e denunciar abusos do judiciário, mas que não houve fraude eleitoral e é preciso reconhecer a legitimidade do processo
No comentário desta quinta-feira, 29, o colunista Fernando Schüler analisa a postura do governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) após a fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado na disputa presidencial. Para Schüler, o governador fez um claro “movimento de afastamento” em relação ao aliado.
“Foi um afastamento cordial”, avalia o colunista, reforçando que Tarcísio chegou a fazer um vídeo agradecendo Flávio. “Mas depois ele fez uma entrevista onde demarcou uma diferença, e disse que ‘a eleição terminou, precisamos aceitar o resultado e fazer oposição’”, pondera Schüler.
Em entrevista exclusiva ao Estadão nesta quarta-feira, 28, Tarcísio defendeu “respeitar o resultado das urnas e seguir em frente”, e ainda afirmou ter aconselhado Flávio a não sair do Brasil após derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Flávio foi para os Estados Unidos e publicou, também na quarta-feira, uma carta com tom golpista na qual se declarou “verdadeiro presidente eleito do Brasil” e chamou o resultado do segundo turno de “fraude eleitoral”.
Para Schüler, o ponto de divergência entre o senador e o governador de São Paulo está justamente neste ponto. “O que Tarcísio está dizendo é o seguinte: a gente pode questionar o uso da máquina nas eleições por parte do governo, pode denunciar os abusos do judiciário, mas não tem fraude eleitoral. É preciso reconhecer a legitimidade do processo”.
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